Cheese salada

Cheese Salada

 

A foto é linda, uma perfeição delicadamente equilibrada para aguçar os sentidos. Sua boca saliva e sua estômago começa a roncar.

Vontade de comer um hambúrguer macio e suculento.

Cedo ou tarde você passa por isso.

Seja na TV, internet, outdoors ou em cartazes de lanchonetes espalhadas por este país, você vai ver a foto do sanduíche perfeito e irresistível.

Então você pede e vem aquela coisa disforme, engordurada, cinza e sem sabor.

Nestas horas você se identifica com William Foster, personagem de Michael Douglas no filme “Um dia de Fúria” e fica com vontade de jogar tudo para o alto.

Talvez por isso uma certa cadeia de fast-food especializada em hambúrgueres utilize um palhaço como garoto propaganda. É para evitar que você perceba que o palhaço é você.

Há exceções é claro.

Os hambúrgueres do restaurante Madero do chef Junior Durski, em Curitiba e além, escondem um rico sabor por trás de uma apresentação simples.

Com opções variadas, o Cadilac em Cascavel também agrada a paladares mais exigentes.

Ambos são confeccionados com hambúrgueres encorpados e grelhados em carvão em brasa. Isso, por si, já faz uma diferença enorme.

Mas a maioria das opções que se encontram são flagrantemente sofríveis e pouco saudáveis.

Por isso, depois de tanta frustração resolvi fazer meus próprios hambúrgueres. Pelo menos assim não me sinto enganado.

Com 300 gramas de carne moída de primeira (com pouca gordura) consigo preparar três porções generosas.

Em uma tigela coloco uma cebola pequena, uma colher de sopa de bacon e cheiro verde, tudo bem picadinho.

Adiciono a carne moída e um pacote de creme de cebola.

Misturo tudo e reservo na geladeira por vinte minutos.

Enquanto isso preparo os demais ingredientes: salada, molhos, queijos e o que mais a imaginação desejar colocar entre as metades de um pão macio.

Levo a grelha de ferro fundido que direto ao fogão e deixo aquecer em fogo baixo. Já preparei em churrasqueira usando carvão e fica excepcional, mas demora.

Separo a carne em três partes, modelo o hambúrguer com as mãos e vou colocando na grelha untada.

Deixo dourar de um lado e viro.

É a hora para quem gosta do queijo fundido ou do presunto aquecido acrescentar as fatias sobre o hambúrguer Também é a hora de fritar fatias de bacon.

Dessa vez optei por um simples cheese salada.

Aliás é interessante como a criatividade do povo brasileiro incorporou o hambúrguer

Por aí se vê X-isso, X-aquilo, X-tudo. Já ouvi a seguinte explanação de um atendente de lanchonete: – ” No X-bacon, O x é a incógnita que admite a inclusão de qualquer ingrediente para acompanhar a constante que no caso é o bacon.” – PERFEITO ! Nem Einstein explicaria tão bem.

Mas voltando à minha fome, monto meu lanche com uma fina camada de maionese, queijo mussarela, o hambúrguer, tomate, alface e finalizo com um fio de mostarda.

Sanduíche honesto e sem enganação,
que eu não sou palhaço não !

Boeuf Bourguignon

Boeuf Bourguignon

Se fosse descrever o universo, diria que ele se parece com uma espiral crescente de círculos concêntricos que se interpõem sucessivamente.

Ficou difícil entender ? Talvez seja mais fácil dizer que nesta vida nada acontece por acaso.

No post anterior falei de um curso de culinária organizado pelo Senac do qual participei (esta semana está acontecendo outro, mas o frio me impediu de participar).

Foi lá que aprendi a receita do maravilhoso  prato que dá nome a este post.

Nome francês que exige biquinho até para ser mediocremente pronunciado. Dá até gosto ver minha filha falar (boooffff burguinhonnn). Ela sabe falar, eu patino.

Saborosa combinação de sabores. A textura da carne, o caudulento sabor dos ingredientes, a cremosidade do molho. Tudo isso me encantou na primeira garfada.

Se o curso se resumisse a essa ancestral receita, ainda assim teria sido barato. Mas nossa Chef Master Fabiana, não se contendo, passou singelas e preciosas dicas para o corte da carne, seu preparo e conservação durante o aprimoramento do molho.

Tudo tão simples. Tão óbvio depois que se aprende que é de se perguntar: onde ela estava que não me convidou para jantar ?

Travadas de língua à parte, municiei-me de uma gin-tônica e fui pesquisar a história do boooffff.

Estava lá na wikipédia, prato tradicional da região de borgonha, leste da frança. Provavelmente resultando da qualidade inferior das carnes consumidas pelos camponeses (a necessidade é a mãe de todas as invenções), blá-blá-blá…

Até que encontro na última frase uma citação em que Julia Child descreve o prato, sauté de boeuf à la Bourguignonne , como “certamente uma dos mais deliciosos pratos de carne inventado pelo homem. ”

Fico sem saber o que é que o sauté significa na frase, mas sei que Julia Child é para os americanos o que Ofélia é para os brasileiros. REFERÊNCIA !

Foi depois de assistir ao filme Julie & Julia que tomei a decisão de criar o projeto Restô d’Ontê. Eu já pensava em fazê-lo desde os saudosos tempos de Larica Total, mas ainda não tinha recebido aquele pontapé na bunda que nos faz avançar.

Então chego à explicação do primeiro parágrafo. O universo conspira contra nós.

A melhor receita apresentada no curso que acabei de fazer para sanar minha insegurança culinária é justamente aquela que mais agradava àquela personagem que me serviu de inspiração para o que faço aqui.

E foi assim. Simples assim.

Escalopes de filé mignon grelhados em chapa de ferro fundido, reservados em travessa protegida por papel alumínio levada ao forno morno e pré aquecido. Dicas que aprendi no curso, garantem a textura, maciez e temperatura da carne até que se complete o preparo do molho.

Numa frigideira grande coloco cubos de bacon para fritar em manteiga. Quando alcançam a aparência adequada acrescento alho e cebola picados e refogo.

Acrescento uma taça de vinho tinto e um toque de vinho do porto (este por minha conta) e espero começar a ferver.

Na falta do demi glacê, incorporo 800 ml de caldo de carne e acrescento uma colher de sopa de farinha de trigo para engrossar o caldo.

Misturo tudo e vou acrescentando cenoura e vagem picados, cebolinhas em conserva  e champignon em metades.

Quando este molho alcança uma boa textura, salpico cheiro verde picado. Retiro a carne do forno, despejo o suco que ela soltou no molho, misturo bem e devolvo à travessa.

Sirvo acompanhado de espaguete refogado em manteiga.

Julia se revira no túmulo a cada vez que reviro a língua e pronuncio Huuuuuummmmmm!!!

Ela sabe o quanto a receita é incompleta, mas também sabe o quanto está maravilhosa.

Restô d’antê d’ontê

Restô d'antê d'ontê

Quintessência da culinária guerrilheira, o Restô d’antê d’ontê é a reciclagem de ingredientes já combinados que em nada remetam à orgia gastronômica do dia anterior.

Era uma confraternização entre amigos do trabalho para a qual preparei filé mignon ao molho mostarda e também filé ao molho madeira.

Mas isso foi ontem e por mais que a comida estivesse boa, a fartura (ou seria restura?) já se fizera presente no almoço e repetir novamente o prato estava fora de questão.

Pelo adiantado da hora não dava para planejar muita coisa. Então fui picando a carne que ainda restava enquanto decidia o que fazer. Picar é um bom começo, ela fica desfigurada e começa a ficar difícil lembrar de onde veio.

Dourei bacon, alho e cebola. Sempre faço isso, mas me dá um tempo para pensar melhor no que fazer. Cogitei acrescentar dois ovos mexidos, mas desistir pelo adiantado da hora.

Coloquei direto a carne e deixei frigindo. Quando estava no ponto acrescentei pimentão vermelho e amarelo. Misturei bem, abri um espaço na frigideira e coloquei duas colheres de manteiga para derreter.

Misturei para deixar a carne bem molhada e fritinha (ah se eu tenho manteiga de garrafa), derramei uma generosa dose de cachaça saborizada com canela e flambei.

Quando o fogo se foi acrescentei algumas colheres de farinha de milho temperada, um toque de cheiro verde, mexi e servi guarnecido de batata palha.

O prato cumpriu bem sua função. Até demais.

Atendeu à fome de todos sem lembrar suas origens, fossem elas pobres ou nobres.

E é assim, pela necessidade de comer e pelo prazer de fazer que vou enriquecendo com um pouquinho daqui e dali , este espaço que é um pouquinho de todos nós.

Churrasco de picanha

Churrasco de picanha

Em meio a muita correria vai ficando mais e mais difícil arrumar tempo para compartilhar ideias e confraternizar neste espaço.

Não deixei de experimentar e pensar nos amigos que por aqui passam todos os dias.

Mas sabem como é, pensamos primeiro no próximo que está mais próximo.

E assim foi que cuidei da viagem de minha filha. Depois de semanas fora ela avisa que está chegando e me pede meigamente: – faz uma carninha prá mim?

Justo ela, a menos carnívora da família. Mas depois de um bom tempo comendo porcaria longe de casa a vontade de comer comida de verdade deve ser enorme. E pedido é pedido e a saudade justifica qualquer esforço.

Então, encontrei algumas picanhas gordas que permitissem o resultado que sei que ela aprecia.

Preparei um fogo forte e ligeiro.

Cortei a carne em fatias não muito grossas para alcançar o ponto em preparo rápido e temperei só com sal grosso.

Então é só começar a ginástica:

Churrasco de picanha

Coloca na grelha o pão de alho.
Uma picanha, duas, três.
Vira a primeira, a segunda, colocar a quarta,
Tira a primeira, vira a terceira,
coloca a quinta e tira a segunda,
colocar uma sexta e vira a quarta.
Vira o pão, vira a quinta.
Tira a quarta, vira a sexta.
Serve a quinta.
Pausa para respirar.
Serve a sexta.
Pit stop para cerveja.

Então é só começar novamente.

Macia e suculenta no ponto certo.

Infelizmente a foto não faz jus ao paladar. Primeiro que as melhores não podiam esperar para fazer pose e a máquina disponível também não era das melhores.

Mas valeu a tentativa de registrar este momento tão bom.

Prometo retomar o velho ritmo, pois como gosto de dizer: comer é necessário, mas prazer é fundamental.

E o melhor prazer é ter família ao lado e amigos com quem compartilhar estes momentos especiais.

Frango com ora-pro-nóbis

Certo dia cheguei a casa e encontrei minha esposa toda entusiasmada com uma receita que fora apresentada em uma edição do programa Mundo da Alimentação que era exibido pela TV Senac, atual Sesc TV.

Dias depois assisti à matéria e conferi a receita de frango com ora-pro-nóbis. Ela era apresentada temperada com história e curiosidades sobre a vida e a culinária tipicamente mineira da cidade de Tiradentes.

Alguns anos depois visitamos aquela acolhedora cidade histórica e nos empenhamos em encontrar o restaurante que aparecera naquele documentário. Até conseguimos, mas infelizmente estava fechado e perdemos a oportunidade de provar este prato típico em sua mais perfeita acepção.

Segundo a lenda o nome ora-pro-nóbis seria uma corruptela de orai por nós e resultaria da prática de rezar a ladainha durante sua colheita.

Lendas a parte, trata-se de um vegetal rico em vitaminas e ferro cujas folhas são muito utilizadas em refogados e também no preparo de farinhas e temperos.

Quando meu vizinho me contou que havia conseguido uma muda da planta de pronto deixei-o avisado para me ceder algumas folhas tão logo surgisse a primeira florada (a planta dá flores que também são comestíveis).

Esta semana tive o privilégio de experimentar.

Com muita expectativa, abasteci-me de uma reserva de cachaça Maria da Cruz e encarei a tarefa.

Lavei as folhas muito verdes de ora-pro-nóbis, cortei fora o talo e reservei.

Algo que ouvi pela primeira vez neste mesmo programa de TV foi a prática mineira de tirar o mal da carne com cachaça. Tornou-se um hábito fazê-lo e não há preparo de carnes de frango ou porco que eu comece sem fazer isso. Há quem use limão, mas eu prefiro a cachaça e eventualmente um pouco de vinagre.

Fritei um pouco de bacon, dourei alho e cebola e refoguei 1 kg de carne de frango cortado em pequenos pedaços e temperado com sal.

Depois disso, baixei o fogo e acrescentei um tablete de caldo de galinha dissolvido em um copo de água, uma colher de vinagre, outra de shoyo e uma colher de colorau. Também acrescentei uma pimenta dedo de moça e meio pimentão vermelho picados.

Deixei cozinhando até engrossar o caldo e por fim acrescentei sobre o cozido, sem misturar, umas quarenta folhas de ora-pro-nóbis cortada em tiras grossas e tampei.

Deixei abafado em fogo baixo pelo tempo necessário para arrumar a mesa e servi com arroz branco e angu.

O prato ficou bonito e delicioso. É importante frisar que a verdura não deixou nenhum sabor marcante o que causou certa frustração.

Mas degustando, bastava fechar os olhos para lembrar das tardes preguiçosas nas históricas ruas de Tiradentes e desejar voltar para provar este prato na raiz e assim descobrir se minha versão pelo menos não envergonha muito a original.

Mais uma branquinha, brindo à oportunidade de voltar.

Mignon suíno agridoce

Mignon suíno agridoce

Sem muita inspiração sobre que destino dar a uma peça de filé mignon suíno, deixei-me inspirar pelo abacaxi que tá barato prá caramba (vide post anterior) e alguma pimentas cambuci vermelhas que nunca tinha visto.

Temperei então a peça de filé com sal, pimenta, limão e uma dose de cachaça para tirar o mal da carne.

Cortei em fatias por toda a extensão da peça, mas sem atravessar o corte. Preenchi esses espaços com meias fatias de abacaxi, cobri com papel alumínio e levei ao forno para assar em temperatura média.

Enquanto isso, preparei todos os ingredientes para o molho agridoce. Cebola, pimenta cambuci verde (a tradicional) e as vermelhas, pimentão vermelho e abacaxi. Todos cortados em pequenos quadrados.

O caldo do molho, propriamente dito, preparei num copo. Uma colher de sobremesa de amido de milho dissolvido em um pouco de água. Ainda acrescentei shoyo, uma colher de açucar e três colheres de vinagre. misturei tudo bem e reservei.

Quando o mignon já estava assado, retirei o alumínio e deixei no grill do forno até dourar.

Na minha fiel panela wok dourei um pouco de bacon e alho em azeite. Acrescentei a cebola depois as pimentas e pimentões.

Refogados, mas ainda crocantes, adicionei o abacaxi e o caldo que ele produz quando é cortado. Por último o molho. Deixei no fogo médio até começar a engrossar.

Arroz chinês e mignon suíno agridoce

Finalmente foi só derramar sobre o lombo e servir acompanhado de arroz chinês.

Filé ao molho de mostarda

Filé ao molho de mostarda

Por mais que as datas e o próprio tempo sejam uma convenção humana, elas são revestidas de significados dos quais não conseguimos escapar.

O Ano Novo é talvez um dos mais curiosos. Afinal, a diferença que existe entre a noite do dia 31 de dezembro e todas as outras noites do ano está tão somente em nossas mentes e nas convenções que criamos.

Mesmo assim, mentalizamos todos os nossos melhores pensamentos naquele instante com a esperança de que o futuro nos alcance com seus melhores momentos e nos permita grandes realizações.

Com esse propósito, uma das coisas que nos esmeramos em fazer é a ceia de ano-novo.

Como a receita do Natal tinha ficado a cargo de minha mãe, tomei a responsabilidade de preparar a última refeição do ano.

Preferi pratos fáceis de preparar que atendem a paladares variados, mas de sabores complexos.

Assim, decidi pelo filé ao molho de mostarda que já havia citada brevemente num post anterior, acompanhado de um arroz com nozes que detalharei posteriormente e uma salada mista.

A peça de filé mignon bem limpo foi temperada com sal, pimenta do reino e meia taça de vinho tinto.

Numa assadeira untada com azeite coloquei grossas rodelas de cebola e depositei ali o filé cobrindo-o com fatias de bacon. Levei ao forno médio, coberto com papel alumínio até dourar. Isso garante que a carne asse por completo sem ressecar.

Para o molho, refoguei na manteiga alguns dentes de alho e a cebola que servira de base ao filé assado. Depois acrescentei champignon, uma taça de vinho branco e aproximadamente 150 ml de mostarda amarela que deixei reduzir em fogo baixo.

Filé ao molho de mostarda - detalhe

Depois foi só acrescentar cheiro verde para dar um contraste e guarnecer o filé.

Terminar o ano comendo assim foi a melhor maneira de homenagear um bom ano que se foi e saudar um novo com a esperança renovada de muita paz e saúde.

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