Minhas desculpas…

Chef Fabiana Barão e eu

Quem acompanha este blog merece meu sincero pedido de desculpas.

Fiquei um tempo ausente e isso não se faz.

Mas explico.

Desde o dia em que preparei o primeiro omelete com salsicha viana em lata até a recente farofa de mignon de suíno com frutas, já se vai mais de um quarto de século.

Muitos erros, alguns acertos e deliciosos momentos de satisfação culinária entre amados e amigos.

Quando comecei este blog foi nutrindo alguns desejos complementares: a compulsão de escrever, a necessidade de fotografar e o desejo de compartilhar experiências.

E tudo correu bem. Até que… até…

Quando escrevemos nos expomos. É consciente mas um tanto quanto esotérico. A absoluta maioria dos mais de três mil leitores do blog nunca me escreveu e nem vai deixar seu recado. Normal.

Mas então alguém escreve: “Mas que droga é essa???? Quais são as quantidades dos ingredientes e suas proporções relativas????

Então eu fico sem ação. não devia, mas fico.

Não sou chef, cozinheiro ou gastrônomo. No máximo um alquimista fajuto que se alegra em misturar ingredientes para matar a fome e o tempo.

E isso dá um prazer danado.

Aquele que me escreveu tem razão, não há receitas aqui porque eu não as sigo. Simples assim. Eu leio, interpreto e executo. Mas não sigo.

Durante anos me defrontei com receitas que pediam kirsch. Eu nunca tinha sequer visto kirsch. Quando encontrei comprei uma garrafa e nunca me serviu de nada, nunca mais encontrei uma receita que pedisse kirsch.

Esta constatação está no cerne do Restô d’Ontê, buscar o prazer e a satisfação com o que está à mão. Sem radicalismo, preconceito ou restrição.

Inúmeros são os sites que oferecem receitas de pratos variados. De múltiplos ingredientes, bolsos e gostos variados. Consultei vários nestas muitas notes de larica.

Não me proponho a ser mais um de muitos. Se fosse um programa de televisão seria um bate papo entre amigos que preparam comida para matar a fome e não um programa culinário.

Minha proposta é estimular o leitor a fazer algo para o prazer de quem se ama. Com o melhor que se tem a oferecer: seus ingrediente, seu tempo, seu trabalho, sua atenção e seu amor.

Porque comer é necessário, mas prazer é fundamental.

E não há maior prazer que a gratidão de quem você alimenta com carinho.

Conheço bem minhas limitações, e não são poucas.

Prova disso fui encontrar num curso de culinária oferecido pelo Senac. Curso de preparo de carnes diversas.

Entre receitas que já conhecia, outras que não dominava e algumas que jamais me ocorreria preparar encontrei dicas valiosas.

Entendo que é assim que se aprende. Como disse Confúcio: “Eu ouço e esqueço, eu vejo e me lembro, eu faço e aprendo.

Depois de uma semana de convívio com pessoas agradáveis, sob o comando da chef Barão foi possível constatar a exatidão destas milenares palavras.

Com sua fala mansa, sua autoridade gentil e sua serena organização, ela ensinou muito mais do que acreditava ser possível em tão pouco tempo.

Não espere encontrar aqui receitas. Apenas poesia (medíocre) e inspiração.

E pelo espaço sou grato. Pelo respeito me sinto satisfeito.

O que me importa, enfim, é fazer o bem e ser feliz.

Se houver prazer, melhor assim.

Dedo de prosa na cozinha

Polenta com frango

Numa noite de domingo estava eu conferindo meus e-mails quando me deparo com uma mensagem curta de um certo Felipe de um site chamado Mapa da Cachaça, elogiando o trabalho que desenvolvo no meu blog Marvada e me convidando a conhecer o trabalho dele.

Fui, vi e gostei como é impossível não gostar de algo feito com tanto capricho, qualidade e talento.

Na noite seguinte recebo outro e-mail de uma certa Gabriela comentando que visitou meu blog culinário Restô d’Ontê e me convidando para visitar um projeto que ela estava desenvolvendo denominado …. Mapa da Cachaça ?!?

Perálá, o mesmo site? Eles se conhecem e não tinham trocado informações sobre mim ou meus projetos? Santa coincidência!

Descubro que Felipe Jannuzzi e Gabriela Barreto são sócios, apaixonados por cachaça e encabeçam uma competente equipe na empreitada de valorizar a cachaça como patrimônio nacional.

Doce conspiração dos astros para reunir coisas boas.

O projeto Mapa da Cachaça é algo tão bom e está crescendo tão rápido que ao escrever estas palavras todos os que as leem certamente já o conhecem. Mas não posso deixar de citar esta estranha sucessão de eventos que me aproximou deles e que permitiu que timidamente eu pudesse contribuir e beber um pouco do seu sucesso.

Em 22 de julho tive uma receita de Polenta com frango e sua história particular publicada.

Foi uma sensação gratificante que espero poder repetir sem moderação.

Felicidades, sucesso e vida longa ao Mapa da Cachaça e a toda sua equipe.

Curiosa contradição

Arroz com nozes

No mesmo sábado, 12 de março, em que o caderno Opinião apresenta um texto do jornalista Clóvis de Almeida Godoy intitulado No mundo digital somos todos piratas, o Jornal O Paraná em pleno desrespeito ao direito autoral estampa uma fotografia de minha autoria, extraída do post Arroz com Nozes deste blog Restô d’Ontê sem autorização expressa e sem devida citação dos créditos.

O que poderia ser considerado uma homenagem ou ao menos referência torna-se flagrante desrespeito.

Isso porque o “profissional” responsável pelo caderno Oeste Rural, avançando para o campo delituoso, seu-se ao trabalho de editar a referida fotografia para remover desta a marca d’água que identifica a autoria.

Portanto, não há que se falar em descuido ou acidente. É desrespeito mesmo. É crime.

Basta comparar a foto original com a imagem scaneada daquela edição para verificar o flagrante desrespeito.

Na condição de veículo de comunicação jornalística, aquele Jornal não poderia permitir que, em flagrante desrespeito ao direito autoral e em detrimento da ética jornalística (vide at. 7º, inciso VIII do Código de ética dos jornalistas brasileiros) fosse utilizada uma imagem sem autorização expressa (quando possível) e (no mínimo) citação da fonte.

Acreditei, ingenuamente, que o citado código de ética, desrespeitado também em seu artigo 12, inciso V, seria ao menos restaurado no cumprimento ao inciso VI do mesmo artigo e que se refere à retratação do erro.

Mas que, nenhuma linha, nenhuma errata, nem telefonema privado pedindo desculpas pela humilhação.

No passado, contribui com aquele mesmo jornal fornecendo fotografias e textos, sempre devidamente citados. De modo que só posso acreditar que se trate de um ato isolado que, espero, não deverá se repetir.

É certo que na internet tudo é público e comum. Para isso criaram-se as licenças Creative Commons que preconizam o livre uso, desde que citada a fonte.

O sentimento que me aflige foi muito bem descrito pelo jornalista Clóvis de Almeida em seu artigo: “O produto de nosso trabalho é como um filho e quando nos tiram, dói a essência, dói na alma. É parte de nós surrupiada sem dó.”

É o que espero e desejo, o reconhecimento pelo amor, carinho e dedicação que aqui empenho.

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