Mignon suíno agridoce

Mignon suíno agridoce

Sem muita inspiração sobre que destino dar a uma peça de filé mignon suíno, deixei-me inspirar pelo abacaxi que tá barato prá caramba (vide post anterior) e alguma pimentas cambuci vermelhas que nunca tinha visto.

Temperei então a peça de filé com sal, pimenta, limão e uma dose de cachaça para tirar o mal da carne.

Cortei em fatias por toda a extensão da peça, mas sem atravessar o corte. Preenchi esses espaços com meias fatias de abacaxi, cobri com papel alumínio e levei ao forno para assar em temperatura média.

Enquanto isso, preparei todos os ingredientes para o molho agridoce. Cebola, pimenta cambuci verde (a tradicional) e as vermelhas, pimentão vermelho e abacaxi. Todos cortados em pequenos quadrados.

O caldo do molho, propriamente dito, preparei num copo. Uma colher de sobremesa de amido de milho dissolvido em um pouco de água. Ainda acrescentei shoyo, uma colher de açucar e três colheres de vinagre. misturei tudo bem e reservei.

Quando o mignon já estava assado, retirei o alumínio e deixei no grill do forno até dourar.

Na minha fiel panela wok dourei um pouco de bacon e alho em azeite. Acrescentei a cebola depois as pimentas e pimentões.

Refogados, mas ainda crocantes, adicionei o abacaxi e o caldo que ele produz quando é cortado. Por último o molho. Deixei no fogo médio até começar a engrossar.

Arroz chinês e mignon suíno agridoce

Finalmente foi só derramar sobre o lombo e servir acompanhado de arroz chinês.

Filé ao molho de mostarda

Filé ao molho de mostarda

Por mais que as datas e o próprio tempo sejam uma convenção humana, elas são revestidas de significados dos quais não conseguimos escapar.

O Ano Novo é talvez um dos mais curiosos. Afinal, a diferença que existe entre a noite do dia 31 de dezembro e todas as outras noites do ano está tão somente em nossas mentes e nas convenções que criamos.

Mesmo assim, mentalizamos todos os nossos melhores pensamentos naquele instante com a esperança de que o futuro nos alcance com seus melhores momentos e nos permita grandes realizações.

Com esse propósito, uma das coisas que nos esmeramos em fazer é a ceia de ano-novo.

Como a receita do Natal tinha ficado a cargo de minha mãe, tomei a responsabilidade de preparar a última refeição do ano.

Preferi pratos fáceis de preparar que atendem a paladares variados, mas de sabores complexos.

Assim, decidi pelo filé ao molho de mostarda que já havia citada brevemente num post anterior, acompanhado de um arroz com nozes que detalharei posteriormente e uma salada mista.

A peça de filé mignon bem limpo foi temperada com sal, pimenta do reino e meia taça de vinho tinto.

Numa assadeira untada com azeite coloquei grossas rodelas de cebola e depositei ali o filé cobrindo-o com fatias de bacon. Levei ao forno médio, coberto com papel alumínio até dourar. Isso garante que a carne asse por completo sem ressecar.

Para o molho, refoguei na manteiga alguns dentes de alho e a cebola que servira de base ao filé assado. Depois acrescentei champignon, uma taça de vinho branco e aproximadamente 150 ml de mostarda amarela que deixei reduzir em fogo baixo.

Filé ao molho de mostarda - detalhe

Depois foi só acrescentar cheiro verde para dar um contraste e guarnecer o filé.

Terminar o ano comendo assim foi a melhor maneira de homenagear um bom ano que se foi e saudar um novo com a esperança renovada de muita paz e saúde.

Chartreuse de carne seca e caldo de feijão

Chartreuse de carne seca e caldo de feijão

Disse o poeta que há mais mistérios entre o céu e a terra do que pode conceber nossa vã filosofia.

E isso se aplica com precisão ao presente caso.

Não sei o que estava procurando na internet quando me deparei com uma certa receita com esse nome chique.

Chartreuse, em tradução literal do francês, é o nome da cor verde-amarelada.

É também o nome de um licor de ervas produzido desde 1605 pela ordem monástica Chartreuse, de onde recebeu o nome.

Mas não sei de onde, fiquei com a impressão de que a palavra tinha um significado de coisa oculta, escondida. Mistério de períodos eleitorais talvez.

Fosse qual fosse o desígnio que se abateu sobre mim naquele momento em que navegava displicente pela ondas internáuticas, lá estava eu diante de um prato cheio de mistério e encantamento, mas que me fazia lembrar…. feijoada.

Então, adaptei a receita para usar couve em lugar da original acelga. Deixei de lado o bacalhau em favor de uma abobrinha para acrescentar textura e umidade à receita. Qualquer dia desses me atraco com uma peça de bacalhau e executo a receita original.

Me concentrei em fazer um refogado de carne seca que exalasse os aromas e sabores de uma deliciosa feijoada.

Aproveitei o feijão de véspera para fazer o caldinho com sabor levemente picante. Era da qualidade carioquinha  e,  por isso mesmo, esse foi o ingrediente que mais destoou, mais pela cor que pelo sabor (porque os cariocas gostam de feijão preto se o feijão carioquinha é marrom?).

Chartreuse de carne seca e caldo de feijão

Essa receita foi sugerida como entrada, mas acompanhada de uma dose de cachaça Seleta, virou atração principal.

Filé com aspargos

Filé com aspargos

Domingão, comidão, cervejão, então…

Tenho que aproveitar para fazer algo que seja suficientemente gostoso para aproveitar o dia frio e chuvoso (finalmente).

É então que vem a calhar o vidro de aspargos em conserva parado na prateleira. É sempre bom ter esses curingas no armário.

Combinado com um filé mignon grelhado em azeite e manteiga, o aspargo recebeu o mesmo tratamento. Apenas foi flambado em rum para acentuar o sabor ácido com um toque levemente cítrico. Depois, bastou acrescentar a água da própria conserva e reduzir para formar uma calda de boa textura para molhar a carne.

De guarnição, arroz com curry, mas muito pouco, suficiente apenas para dar cor.

Claro, uma saliníssima de entrada e cerveja de trigo bem gelada para arrematar.

A vaca foi pro brejo, e nós fomos atrás…

Vaca Atolada

Bate um friozinho e a melhor pedida é uma comidinha com mais “sustança”.

Encontrei uma bela peça de posta vermelha (coxão duro para os íntimos) e para variar do tradicional destino desta peça (bife-a-rolê/carne-de-panela), resolvi adaptar uma vaca atolada.

A receita tradicional deste prato mineiro é elaborada com costela com osso, mas a posta vermelha oferece um resultado menos gorduroso e tão saboroso quanto.

Outra excelente opção é usar a fraldinha tomando o cuidado de remover o excesso de gordura.

Com essa ideia, levei também um quilo de meio de mandioca previamente descascada, daquelas que se compra embaladas no supermercado. É muita mandioca, mas a chance de não cozinhar é tão grande que prefiro ter um pouco a mais para congelar do que faltar no preparo.

A primeira providência foi cozinhar a mandioca na pressão, em pequenos pedaços. Depois de pronta reservei, mantendo em água morna para não endurecer.

Em uma panela de pressão fritei bacon, alho, cebola e a carne cortada em cubos médios. Quando estava dourada acrescentei uma pimenta dedo de moça, um cubo de caldo de carne dissolvido em água morna, uma pitada de sal e salsa desidratada. Cobri com água morna e levei para fervura.

Para apreciar enquanto espero o tempo passar, uma dose de lua cheia para combinar com o clima mineiro.

Uns vinte minutos depois retirei a carne da pressão, acrescentei a mandioca cozida e a água dela até cobrir toda a mistura. Mantive a fervura por mais uns trinta minutos, agora com a panela aberta, até que a carne e a mandioca começaram a se dissolver.

Então foi conferir o tempero, acrescentar o cheiro verde e servir com arroz branco.

É comida quente, mas que pede um molho de pimenta e uma gelada para acompanhar.

No Rio, de bafo pro ar…

Filé aranha

Uma semana no Rio de Janeiro, que continua lindo, com direito a evacuação policial do hotel por conta de roubo de jóias. Vão-se os anéis, mas ficam as boas lembranças.

Clima temperado (tempo quente + chope gelado) enquanto o sul é paralisado pela maior nevasca dos últimos 20 anos. Dessa eu escapei, por pouco…

E para celebrar essa redescoberta da cidade maravilhosa desfrutei de um delicioso Filé à Osvaldo Aranha. Este, mais folclórico do que típico, prato da culinária carioca é perfeito para se provar no auge da solidão conjugal.

Este prato, completado com arroz, farofa e batatas portuguesas, é uma receita cultivada desde que pelos arcos da lapa caminhava serelepe o gaúcho Osvaldo Aranha. Depois de articular o posto de comandante da nação para Getúlio Vargas nos anos 1930 ele foi ocupar os cargos de Ministro da Justiça, da Fazenda e de Embaixador em Washington.

Segundo consta, traçava este prato todos os dias e derrotava, no bafo (digo no papo), qualquer adversário.

Isso porque o detalhe que o diferencia é a abundante presença em sua receita de denteS de alho (com friso no plural).

De volta ao ninho, com a cumplicidade da parte, ensaiei uma versão rudimentar. Lá estava um belo filé mignon dourado na manteiga e azeite. Também a generosa presença de alho e cebola.

Mas confesso que se não deixou a desejar em sabor, está longe de fazer juz ao original. O que faltou? Provavelmente 80 anos de história.

Em minha humilde versão, pode ser que tenham faltado os acompanhamentos. No Cosmopolita, estava guarnecido por fartas garrafas da Loira Devassa.

Aqui só havia uma minguada garrafa de Norteña.

Motivos suficientes para repetir outras tantas vezes, sem moderação.

Cumê tatu é bão

Mignon ao molho madeira

A primeira vez que fiz este prato já me grudou nos ouvidos a música dos Mamonas Assassinas.

Claro que não é carne de tatu, mas a semelhança com o casco do bichinho não me deixava esquecer a melodia.

É uma peça inteira de filé mignon temperada com alecrim, tomilho e sal, recoberta de fatias de bacon e assada sobre uma camada de cebolas fatiadas em rodelas.

Na primeira vez que preparei esta receita, ela foi servida ao molho de mostarda. Ficou excepcional (pena que não registrei em fotos) principalmente porque o molho estava suave e saboroso.

Dessa feita, optei por servir o “tatu” ao molho madeira (obviamente caseiro) enriquecido com champignhon, tomates pelados e cheiro verde.

Acompanhado de salada e arroz branco e um cabernet reserva Santa Helena.

Afinal, depois da patacoada da Ferrari, a última coisa que eu querer na minha mesa era MASSA !

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