Caldinho de moqueca

Caldinho de moqueca

Fazendo jus ao melhor espírito restô, eu não poderia admitir que uma generosa porção de moqueca de cação com camarões fosse desperdiçada.

E como não mais me apetecia prová-la à moda original “resta” a reciclagem, que nesse caso, é muito sutil.

Reservei uma pequena porção da moqueca.

Levei ao liquidificador a maior parte e acrescentei:

  • o dobro do volume de água;
  • uma dose de cachaça,
  • uma porção pequena de cheiro verde,
  • uma pitada de sal (lembrando que a moqueca já estava temperada).

Levei a mistura ao fogo brando, acrescentei a parte reservada da moqueca e, mexendo sempre para não grudar, deixei ferver por alguns minutos. Tempo suficiente para esquentar e evaporar o álcool da cachaça.

Servi com cheiro verde e pimenta dedo de moça picadinhos acompanhado de fatias de pão.

E como adoro pimenta, não recusei ainda algumas gotas de tabasco.

Simples, fácil, gostoso e aconchegante para essas noites de primavera que insistem em não esquentar.

Não sobrou, é claro, mas enquanto me desfazia das últimas colheres imaginei que cozinhando com farinha de mandioca branca, esse caldinho ainda rendia um pirão.

Moqueca de peixe

Moqueca de peixe

Eu considero a TV Pirata, programa de humor que foi ao ar na Rede Globo entre 1988 e 1980, um dos melhores programas do gênero que já foram exibidos.

Algumas piadas, esquetes (do inglês sketch), estão tão impregnadas em minha memória que qualquer coisa é capaz de evocá-las.

Uma delas é a C.M.A.

Nunca mais vou comer moqueca de peixe sem me lembrar da interpretação do ator Luiz Fernando Guimarães travestido de baiano.

Mas eu me rendo, desisto. Não consigo ficar um ANO sem comer moqueca, (porque um dia também é demais).

Lá em casa todo mundo gosta, mas só eu sou candidato ao C.M.A.

Se aviso que vou fazer, todo mundo encontra uma desculpa para adiar.

Então, vou comprando tudo devagarinho, pimentões aqui, azeite de dendê dali, leite de coco acolá.

Ninguém percebe que estou alimentando esse “vício”.

Finalmente dou o bote, compro o peixe e o coentro e quando veem já estou preparando.

E é tão fácil que dá até preguiça de explicar.

Faço duas camadas na seguinte ordem:

  • cebolas em rodelas;
  • peixe (usei filé de cação, mas você pode mudar);
  • tomate em rodelas;
  • pimentão vermelho e amarelo em rodelas.

Depois, cubro com camarões, cheiro verde e coentro picados.

À parte, dissolvi um sachet (ou tablete) de caldo de legumes em 200 ml de leite de coco. Acrescentei sal e pimenta e derramei sobre as camadas.

Levei ao fogo baixo e deixei levantar fervura. E produz bastante caldo.

Depois de meia hora acrescentnei duas colheres de azeite de dendê.

Ali ficou, cozinhando pouco mais de uma hora até que o caldo fosse reduzido à metade.

Pronto. Servido com arroz branco e uma cachaçinha envelhecida.

Moqueca na panela

Não adianta, ainda vai levar um bom tempo para eu me juntar ao C.M.A.

Quer entender do que estou falando ? Quem sabe você ainda consegue seguir o link: http://youtu.be/LKoe01Yi5pk

Pão italiano recheado

Pão Italiano

Em um incerto fim de tarde, estava eu tranquilo quando toca o telefone.

Elétrico, como sempre que tomado de euforia, Beto falava: – “Vem cá no muro”.

Vizinho, compadre e amigo a gente não questiona, obedece.

E vinha ele com mais uma criação culinária construída sobre o tripé do sucesso: disponibilidade x necessidade x fome.

Aprendi com ele a transformar um pão italiano num requisitado prato divertido e saboroso.

Quando ele o fez pela primeira vez, a linguiça sobressaltava de tal modo que nos era impossível lembrar se havia outra coisa naquela receita.

Mas o tempo foi seguindo, a receita se repetindo, e novos elementos surgindo foram construindo variações que hoje alcançam um novo padrão de excelência.

E seja ela como for, sempre fazendo jus ao meu amigo criador.

Um pão de tamanho que baste serve de recipiente para o recheio.

Esse pode ser do que houver ou lhe aprouver.

Nesse caso, uma linguiça blumenau ou colonial de porco, desfiada e um maço de escarola se combinam.

Douro um pouco de cebola e alho no bacon e acrescento a linguiça.

Refogo rapidamente, acrescento uma dose de aguardente e flambo.

Assim que o fogo acaba, incorporo a escarola cortada em tiras e garanto que toda ela refogue, sem passar do ponto.

O interior do pão italiano, já sem a coroa e o miolo, forro com fatias de mussarela.

Usando um pegador de macarrão ou de salada, vou preenchendo o pão com o recheio de linguiça com escarola. O interessante é descartar o excesso de líquido pois isso deixaria o pão encharcado.

Quando completo, acrescento mais um pouco de mussarela e fecho o pão com sua coroa vedando com parmesão ralado.

Levo o pão ao forno pré aquecido por vinte minutos e está pronto.

Beto Belini, meu compadre vizinho, que provou e elogiou esta receita adaptada, nunca reivindicou a autoria. Nunca se arrogou ser o autor desta ou de outra criação. Esse é seu espírito gentil, caridoso, amigo e fraterno.

Ele e eu sabemos que em maior ou menor grau, todos nós já chegamos ao ponto em que nada se cria, tudo (em algum grau) se copia. E isso já dizia Chacrinha.

Essa receita, é apenas uma que aprendemos juntos a fazer e degustar em família.

Outras tantas apenas provei pensando que sempre haveria tempo de aprender.

Não há. O tempo é agora. O amanhã não existe.

Então faço agora com prazer, para saciar a fome e a saudade do bom amigo que doravante só pode provar a alegria.

Provo, com um fio de azeite e uma taça de vinho branco.

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