Boeuf Bourguignon

Boeuf Bourguignon

Se fosse descrever o universo, diria que ele se parece com uma espiral crescente de círculos concêntricos que se interpõem sucessivamente.

Ficou difícil entender ? Talvez seja mais fácil dizer que nesta vida nada acontece por acaso.

No post anterior falei de um curso de culinária organizado pelo Senac do qual participei (esta semana está acontecendo outro, mas o frio me impediu de participar).

Foi lá que aprendi a receita do maravilhoso  prato que dá nome a este post.

Nome francês que exige biquinho até para ser mediocremente pronunciado. Dá até gosto ver minha filha falar (boooffff burguinhonnn). Ela sabe falar, eu patino.

Saborosa combinação de sabores. A textura da carne, o caudulento sabor dos ingredientes, a cremosidade do molho. Tudo isso me encantou na primeira garfada.

Se o curso se resumisse a essa ancestral receita, ainda assim teria sido barato. Mas nossa Chef Master Fabiana, não se contendo, passou singelas e preciosas dicas para o corte da carne, seu preparo e conservação durante o aprimoramento do molho.

Tudo tão simples. Tão óbvio depois que se aprende que é de se perguntar: onde ela estava que não me convidou para jantar ?

Travadas de língua à parte, municiei-me de uma gin-tônica e fui pesquisar a história do boooffff.

Estava lá na wikipédia, prato tradicional da região de borgonha, leste da frança. Provavelmente resultando da qualidade inferior das carnes consumidas pelos camponeses (a necessidade é a mãe de todas as invenções), blá-blá-blá…

Até que encontro na última frase uma citação em que Julia Child descreve o prato, sauté de boeuf à la Bourguignonne , como “certamente uma dos mais deliciosos pratos de carne inventado pelo homem. ”

Fico sem saber o que é que o sauté significa na frase, mas sei que Julia Child é para os americanos o que Ofélia é para os brasileiros. REFERÊNCIA !

Foi depois de assistir ao filme Julie & Julia que tomei a decisão de criar o projeto Restô d’Ontê. Eu já pensava em fazê-lo desde os saudosos tempos de Larica Total, mas ainda não tinha recebido aquele pontapé na bunda que nos faz avançar.

Então chego à explicação do primeiro parágrafo. O universo conspira contra nós.

A melhor receita apresentada no curso que acabei de fazer para sanar minha insegurança culinária é justamente aquela que mais agradava àquela personagem que me serviu de inspiração para o que faço aqui.

E foi assim. Simples assim.

Escalopes de filé mignon grelhados em chapa de ferro fundido, reservados em travessa protegida por papel alumínio levada ao forno morno e pré aquecido. Dicas que aprendi no curso, garantem a textura, maciez e temperatura da carne até que se complete o preparo do molho.

Numa frigideira grande coloco cubos de bacon para fritar em manteiga. Quando alcançam a aparência adequada acrescento alho e cebola picados e refogo.

Acrescento uma taça de vinho tinto e um toque de vinho do porto (este por minha conta) e espero começar a ferver.

Na falta do demi glacê, incorporo 800 ml de caldo de carne e acrescento uma colher de sopa de farinha de trigo para engrossar o caldo.

Misturo tudo e vou acrescentando cenoura e vagem picados, cebolinhas em conserva  e champignon em metades.

Quando este molho alcança uma boa textura, salpico cheiro verde picado. Retiro a carne do forno, despejo o suco que ela soltou no molho, misturo bem e devolvo à travessa.

Sirvo acompanhado de espaguete refogado em manteiga.

Julia se revira no túmulo a cada vez que reviro a língua e pronuncio Huuuuuummmmmm!!!

Ela sabe o quanto a receita é incompleta, mas também sabe o quanto está maravilhosa.

Anúncios

3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Irene Sneddon
    jul 21, 2012 @ 03:04:30

    HUmmmmmmm.. concordo pleanamente com cada palavra que vc escreveu aqui… este ‘e um prato comum no nosso cardapio… adoramos,mas servimos com batatas ou arroz, a proxima sera servido com spaguetti.

    Responder

  2. Irene Sneddon
    jul 21, 2012 @ 03:52:15

    Marcelo, agora que li o post todo e rimuito… eu tenho o livro da Julia e faco a receita um pouco diferente da sua, e nunca usei felt mignon… mas so olhando pra esta foto, me deu vontade de ir pra cozinha agora…. este ‘e prato ‘e uma maravilha! 🙂 Parabens!

    Responder

    • Marcelo
      jul 21, 2012 @ 13:04:55

      Já servi com batatas portuguesas e arroz. E sempre tem uma batata palha à disposição. Fica muito bom.
      Não tenho a receita original da Julia, mas imagino que deve ser muito bom.
      Vou ter que aparecer por aí um dia para provar sua receita.

      Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: