Frango à valenciana

Frango à valenciana

Guardei por semanas esta receita, que encontrei por acaso, num cantinho da tela do meu computador. Eu olhava para ela e ela olhava para mim. Desconfiávamos um do outro e nos desafiávamos.

Quando o carnaval finalmente findou (meio redundante esta expressão) surgiu a oportunidade para tirá-la daquele cantinho e colocá-la no centro do prato.

Sempre a encarei como uma homenagem, referência ou pelo menos alusão aos costumes espanhóis que influenciaram a culinária mexicana.

Então me vejo na iminência de preparar um prato que tem no pimentão, na pimenta e no tomilho seus mais expressivos ingredientes e não tenho o primeiro, tenho pouco do segundo e um eterno receio de exagerar no terceiro.

Tenho fome e preparar o alimento da família é como fazer uma oração que empenhamos aos que amamos. Então, a falta de UM pimentão é mero detalhe que tenho que superar com alguma dose de improviso.

Restô d’ônte é isso, comida de guerrilha com um toque gourmet.

Os filés de frango estão picados, lavados e excomungados (que é a prática de adicionar um pouco de aguardente ou limão para livrar a carne daquele sebo característico). Aplico um toque de tempero e deixo descansar um pouco para adquirir sabor.

No liquidificador coloquei duas cenouras pequenas, duas pimentas cambuci, um pouco de cheiro verde e bati com um copo de água. Deveria ser um pimentão verde e água, então fico com a sensação de que estou substituindo o ingrediente com riqueza e consideração.

Piquei alho, pimenta dedo de moça, champignon e um pouco de cheiro verde.

Reservei ainda uma taça de vinho branco, duas colheres de cebolinhas cristal (aquelas pequenas cebolas em conserva)  e um tablete de caldo de galinha.

Tudo separado, comecei derretendo uma colher de manteiga em azeite extra virgem em uma frigideira grande.

Fui acrescentando aos poucos o frango tomando o cuidado de mantê-los dourados e macios.

Quando estavam no ponto acrescentei o alho e ao sentir o perfume começar a se espalhar acrescentei a pimenta picada. Refoguei um pouco e acrescentei também as cebolas e o vinho.

Quando a mistura levantou fervura acrescentei o molho que preparei no liquidificador, misturei bem, abaixei o fogo e deixei reduzir.

Assim que chegou no ponto, acrescentei o champignon, o cheiro verde e uma caixinha de creme de leite. Misturei tudo e servi.

Levemente picante e cremoso, como eu queria que fosse. Não ficou exatamente igual, mas foi uma justa homenagem.

Comer, rezar e amar são verbos que não nos cansamos de conjugar quase sem pensar.

Mas escrever é verbo que exige um esforço diferente. Como no tênis, é preciso saber que alguém está disposto a rebater antes mesmo de lançar o verbo ao vento.

Então, me justifico aqui pelo tempo que passei ausente. Comi, rezei e amei, até pensei, mas não escrevi por falta do ânimo e das rebatidas que nos ajudam a melhorar o jogo.

Agora, vamos em frente.

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