Risoto de camarão

Risoto de camarão

Agora sim eu começo a acreditar que o inverno finalmente ficou para trás.

Horário de verão, o sol já adentra minha cozinha e posso usar bermuda o dia inteiro.

Enfim, é primavera, mas pode chamar de verão.

E para comemorar a nova estação um prato tradicional com o frescor da nova estação.

Risoto é quente, ainda remete ao calor que buscávamos para afastar as noites frias. Mas vem agora embalado pelo sabor e textura do camarão.

A vantagem deste prato é que o preparo tem uma base comum a todos os demais risotos. Os ingredientes básicos podem estar sempre à mão, definindo-se o sabor pela disposição dos demais ingredientes.

Importante é sempre ter um bom estoque de caldos (de carne, frango, camarão e principalmente de legumes – este o coringa de um bom risoto). Claro que é melhor um caldo natural feito a partir de legumes frescos. Mas como nem sempre é possível, o jeito é usar caldos em pó ou tablete.

Então vá lá. Neste caso o caldo que usei foi de camarão, dois cubinhos para um litro de água fervente.

Vou embalando o preparo ao sabor de uma caipirinha de abacaxi com água de coco.

Na panela de inox com fundo triplo, uma colher de manteiga e um fio de azeite extra virgem. Douro alho poró. Éééééé, alho poro, muito mais suave e de sabor fresco e agradável.

Depois veio o arroz arbóreo e então a cebola ralada, até que ele comece a ligar. Já deu para notar que volta e meia eu inverto esta ordem. Vai entender, mas o fato é que a cebola dourada antes do arroz deixa o prato mais suave e exige mais caldo. Como faço para a família e todos apreciam cebola, deixá-la para depois valoriza o sabor.

Vem então a primeira concha de caldo de camarão, que sigo acrescentando em fogo baixo até o fim do preparo.

Paralelamente, numa frigideira, aqueço o azeite e douro o alho poró. Acrescento o camarão em pequenas porções. E vou repetindo o processo até dourar todos os quinhentos gramas de camarão.

Isso leva o tempo necessário para preparar o arroz. Ele vai cozinhando lentamente enquando o camarão segue grelhando.

Terminam juntos. Quando o arroz mostra precisar de apenas mais uma concha de caldo para finalizar, acrescento os camarões, o cheiro verde, uma mistura de quatro queijos, uma colher de manteiga e a derradeira concha de caldo.

Vou mexendo vagarosamente enquanto a mesa é arrumada para receber os convivas.

Sirvo, regiamente regado com vinho branco MUITO gelado.

Ah, como são bons os dias quentes de verão.  Que venham mais então.

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Mortadela agridoce

Mortadela agridoce

Quando eu era criança, houve um breve tempo em que todos os dias comíamos mortadela com pão no almoço e sanduíche de pão com mortadela no jantar. Para variar, às vezes comíamos pão com mortadela frita.

Esse era um momento especial.

Parece piada, mas não é. E não posso dizer que seja um lembrança tão ruim assim.

Ainda hoje gosto de mortadela. Não como tão frequentemente como naqueles tempos imemoriais, mas volta e meia está lá:  ela, o pão e lembranças de montão.

Só que agora a mortadela vem embalada de um jeito, digamos assim, meio gourmet. Como nesta receita cuja inspiração me veio de supetão não sei bem de onde.

O principal ingrediente, evidente, são algumas fatias de mortadela de boa qualidade e procedência que ainda são cortadas em finas tirinhas.

Uso também cebola e cenoura em tirinhas. (Aqui um parênteses. Cortar em tirinhas é o mesmo que cortar à julienne, ou corte julienne. Mas se eu falo tirinhas tudo fica mais fácil de entender não é?)

Sem mais delongas, vamos ao preparo.

Numa frigideira douro alho em azeite, acrescento a mortadela e a cenoura mexendo ocasionalmente até ficarem al dente.

O sabor acre obtenho acrescentado vinagre balsâmico ou molho Worcestershire, o popular molho inglês. Reduzo o fogo ao mínimo.

Em outra frigideira derreto uma colher de manteiga em um fio de azeite para dourar a cebola. Então acrescento uma colher rasa de açúcar e misturo bem.

Quando começa a derreter adiciono uma dose de cachaça (preferencialmente, mas pode usar outro destilado na falta deste) para flambar.

Finalmente misturo com cuidado o conteúdo das duas frigideiras numa travessa, adiciono cheiro verde picado e está pronto.

Sirvo acompanhado de pão francês cortado em rodelas e cerveja bem gelada. Dou preferência para comer sem talheres, no melhor estilo botequim.

Com prática e tendo todos os ingredientes previamente preparados é possível fazer os dois ao mesmo tempo e servir bem quentinho.

Se um dia eu montar um boteco, vou acrescentar este petisco ao cardápio. Só não sei se vou resistir à tentação de chamá-lo de minhoca frita.

Risoto de carne com aspargos

Risoto de carne

Olha aí novamente uma receita de risoto.

Desta vez a escolha recaiu sobre filé mignon e aspargos.

De filé foram apenas uns trezentos gramas picadinhos, temperados em sal, pimenta e alho fritos em azeite e flambados em cachaça carcará.

Reservei a carne e comecei a preparar o risoto com os mesmos passos básicos utilizados para o preparo de qualquer receita com arroz arbóreo.

Dissolvi dois tabletes de caldo de carne em um litro de água e fervi.

Numa panela grande aqueci azeite, dourei alguns dentes de alho triturados e uma cebola ralada.

Então fritei uma xícara de arroz mexendo sempre para não grudar. Acrescentei uma taça de vinho branco e mexi bem enquanto o álcool evaporava.

Baixei o fogo e acrescentei o caldo de carne no arroz mexendo suavemente. Repeti o processo sempre que o caldo quando começava a secar.

A vantagem de se usar vinho branco no preparo do risoto é que o arroz consome apenas uma taça e sobra todo o resto para o cozinheiro.

Uns vinte minutos e o arroz começou a ficar “al dente”. Neste ponto adicionei a carne frita e um pouco mais de caldo, misturando tudo.

Por último coloquei o aspargo. Umas seis peças em conserva, daqueles que se compram em vidros. Separei as ponta que costumam ser mais macias e reservei. O talo mais firme cortei em rodelas e acrescentei ao risoto junto com uma colher de manteiga. Misturei tudo suavemente.

Poderia ter usado aspargo fresco, mas encontrá-los nem sempre é uma tarefa fácil. Bastaria cozinhar um pouco e remover a casca. O sabor certamente seria superior.

Por fim, salpiquei bastante cheiro verde e acrescentei as pontas mais frágeis dos aspargos.

Detalhe, neste risoto não acrescentei nenhum grama de sal. Como em todos os outros que preparei o sódio é fornecido pelo o caldo de (de carne ou legumes). Sem esquecer que a carne desta receita foi temperada antes de ser frita.

Gente, sem modéstia, ficou muito bom.

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