Risoto de bacalhau

Risoto de bacalhau

Eu não gosto de arroz.

Não é que eu repudie a base da alimentação de metade da população, apenas prefiro qualquer outra fonte de aminoácido ao tradicional arroz branco.

Na culinário japonesa me apetece muito mais o sashimi ao popular e bem sucedido sushi. Desprezo o moti pelo prazer do mandiu. Do gohan passo longe.

Quando penso em arroz me lembro que os navegantes do passado morriam de escorbuto e beriberi por se alimentarem durante muito tempo apenas deste cereal. Claro, a culpa era do arroz polido e da falta de vitamina C, mas eles não sabiam muito bem o que era isso.

E assim vivi bons e longos anos longe do arroz, até que um dia …

Adoro bacalhau. Pode ser por conta de uma remota ancestralidade portuguesa ou talvez porque bacalhau já foi comida de pobre. Mas seja por qual motivo, certa feita entre os poucos pratos disponíveis para escolha num cardápio vi-me compelido a pedir o que mais me aprazia. Era ele o dito cujo do risoto de bacalhau.

Nada mais que um arroz misturado com o meu precioso peixe salgado das águas frias. Ledo engano, eis que vem o prato e deu-se o milagre.

Macio, cremoso, suculento, saboroso, delicado, divino. E ainda por cima tinha bacalhau.

Nunca imaginara que um risoto pudesse ser tão diferente do nosso tradicional e corriqueiro arroz agulhinha.

Foi a partir desta remota experiência que passei a apreciar este ingrediente que, quando bem aplicado, se transforma no item principal de uma refeição completa.

Mas assim como um suculento filé está distante de um bife comum, um risoto bem preparado está a léguas de distância de um arroz branco temperado. Por isso mesmo sempre hesitei em adentrar neste terreno de mistérios e segredos das gramíneas de cepa nobre.

Hoje, depois de uma frustrante experiência no fim de semana com uma peça de peixe fresco, enchi-me de coragem e lancei-me ao desafio de fazer o primeiro risoto de minha vida.

Como já contava com um lombo de bacalhau dessalgado à disposição e sendo esse o sabor que melhor eu poderia julgar, essa foi a minha escolha natural.

Comecei consultando várias receitas na internet que julguei condizentes com o paladar que desejava alcançar. Sim, também consulto por aí dicas para o que desejo fazer.

Depois de juntar os passos e ingredientes necessários, lancei-me ao trabalho.

Coloquei para ferver um litro e meio de caldo de legumes para o cozimento do risoto.

Numa panela dourei em azeite dois dentes de alho amassados e uma cebola média ralada.

Acrescentei pouco mais de uma xícara de arroz arbóreo para dar uma fritada. Ele é o mais indicado para o preparo de risotos pois oferece uma boa consistência.

Acrescentei meia taça de vinho branco (uns 80 ml), e misturei bem até que o líquido começasse a ferver.

Nesse ponto comecei a acrescentar o caldo de legumes, sempre mexendo de modo a deixar o arroz cozinhar sem muito caldo, mas nunca deixando faltá-lo.

Enquanto isso lasquei 300 gramas de bacalhau dessalgado em pequenos pedaços (depois, ao provar nos demos conta de que podiam ser um pouco maiores para dar uma pouco mais de fibra ao prato).

Também piquei dois tomates em pequenos pedaços e um pouco de cheiro verde.

Quando o arroz começou a chegar no ponto acrescentei o bacalhau e misturei tudo com suavidade. Acrescentei ainda um pouco mais de caldo e permiti que cozinhasse até que o arroz estivesse “al dente”.

Finalizei misturando o tomate devidamente escorrido e o cheiro verde.

Pensei em colocar alguns champignons, mas acabei me esquecendo deste detalhe.

Antes de servir ainda acrescentei uma colher de manteiga ao risoto e mexi suavemente para que ele ganhasse um pouco mais de brilho e cremosidade.

O toque final foi dado pelo queijo parmesão ralado grosso salpicado sobre o prato.

Para acompanhar fizemos o sacrifício de secar a garrafa de Concha Y Toro Sauvignon Blanc que humildemente emprestara um pouco para dar alma ao prato.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Rodrigo Jorge
    abr 07, 2012 @ 13:25:16

    Vou tentar, porém meu bacalhau foi feito ontem e sobrou para hoje. Tenho 2 postas! Depois conto a experiência!

    Responder

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