Talharim italiano

Talharim italiano

Primeiro um esclarecimento: o macarrão é chinês, mas quando se fala em massa todo mundo pensa na Itália. Então, todo macarrão é “italiano”.

Assim sendo, o italiano do nome do prato fica por conta das cores da bandeira daquele país: vermelho, branco e verde belamente distribuídos sobre a “pasta”.

Resolvi chamá-lo assim pela absoluta dificuldade de determinar qual seria o nome correto da combinação “tomate seco+rúcula+queijo de búfala”. Popularizada em pizzas com os mais variados nomes, ela é mais frequentemente encontrada com o sugestivo nome de: pizza de tomate seco com rúcula, e raramente leva queijo de búfala.

Então, quando encontrei esta massa grano duro de talharim com ovos e me entusiasmei com a ideia de prepará-la de maneira diferente, de pronto escolhi esta combinação.

Só me faltava o queijo de búfala que comprei junto com a massa.

O preparo não requer muitos segredos.

Cozinhei a massa como indicado.

Numa frigideira grande dourei alho em azeite. Juntei uma colher de manteiga e quando derreteu acrescentei uma colher de farinha de trigo. Quando começou a  fritar fui adicionando leite até formar um molho bechamel um pouco mais espesso.

Vale dizer que o molho está aí para dar uma liga ao conjunto.

Então acrescentei o tomate seco picado e o macarrão. Salpiquei sal e pimenta do reino ao gosto e misturei bem. Depois juntei a rúcula picada, regulei o azeite, misturei tudo e transferi para a travessa de servir.

Só então acrescentei o queijo de búfala picadinho.

Este queijo é muito sensível e se aquecido vira uma borracha que não se mistura. Justamente por isso ele deve ser acrescentado ao final garantindo que mantenha sua textura.

A dois, pois assim é sempre melhor, degustamos ao sabor de um bom e gelado vinho branco.

Excelente prato de preparo rápido para uma agradável noite de primavera. Que venham as flores.

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Risoto de palmito

Risoto de palmito

Agora aguenta.

Depois de fazer com sucesso uma receita de risoto pretendo experimentar várias.

Ultimamente começaram a se multiplicar restaurantes e serviços de entrega especializados em risotos. Sinal de que o gosto pelo prato está se popularizando. Isso certamente causará o surgimento e aprimoramento de um grande número de receitas.

Então, vou continuar buscando novas ideias e desfrutar do prazer quase tão bom de prepará-las.

Desta fez a escolha recaiu sobre o palmito. Fazer um risoto de palmito é uma escolha óbvia. Estando presente em muitos cardápios, certamente desfruta de boa aceitação pelo público.

Mas, como a ervilha, prefiro consumi-lo frio, ao natural. É comum encontrá-lo em vários pratos quentes. Já provei inclusive palmite assado e fica muito bom. Mas sempre achei que certos alimentos perdem quando aquecidos.

Qual não foi minha surpresa ao constatar que este risoto ficou divino. Melhor que o risoto de bacalhau e com maior potencial de agradar paladares diversos.

O preparo também foi mais fácil e rápido. Seguiu os mesmos passos básicos.

Aqueci 1 litro de caldo de legumes.

Numa panela grande aqueci azeite, dourei três dentes de alho moído e uma cebola ralada.

Então fritei uma xícara de arroz arbóreo mexendo sempre para não grudar. Acrescentei uma taça de vinho branco e mexi bem enquanto o álcool evaporava.

Baixei o fogo e acrescentei o caldo de legumes no arroz. Fui mexendo suavemente durante todo o tempo, acrescentando mais caldo quando começava a secar.

O processo todo durou uns vinte minutos até que o arroz começou a ficar “al dente”. Foi então que adicionei um vidro de palmitos cortados em rodelas e um tomate picado e escorrido, misturando tudo.

Acrescentei ainda uma razoável porção de cheiro verde picado e uma colher de manteiga. Desliguei o fogo e misturei tudo com suavidade para que a manteiga derretesse por completo.

Servi acompanhado de um suculento filé mignon e um palmito grelhado.

Divinamente saboroso.

Abobrinha recheada

Abobrinha recheada

Bateu a fome acompanhada da vontade de degustar algo leve e diferente.

De pronto minha esposa se recorda de uma receita que viu de relance na TV e que lhe deixou com água na boca. Um clássico reciclado com muita leveza e sabor.

Esta delícia eu não preparei, mas acompanhei embevecido e ansioso por degustar e compartilhar a receita.

Batatas recheadas são saborosas, e de tantas possibilidades já viraram franquia de sucesso. Mas encontrar batatas que realmente se prestem a ser assadas já é um pouco mais complicado. Tem que ter tamanho e textura adequadas.

Por serem calóricas e ricas em amido também são evitadas por quem vive em guerra com a balança.

Em seu lugar, então, entra a abobrinha. Mais leve, menos calórica, saborosa é também rica em vitaminas. A abobrinha é um fruto ainda pouco explorado na culinária. Uma pesquisa rápida mostra oito vezes mais receitas com batatas, muitas delas poderiam ser substituídas por algum tipo de abóbora.

Também é mais rápida no preparo podendo ser usada diretamente, não necessitando de cozimento prévio.

E assim, as abobrinhas foram lavadas e cortadas ao meio e o miolo foi escavado e, apenas neste caso, descartado.

Para o recheio, picadinho de frango refogado com alho, cebola, cenoura ralada, tomate picado, cheiro verde e temperos diversos.

Depois de montadas receberam uma generosa camada de molho bechamel salpicado com queijo e foram ao forno para gratinar.

Simples, rápido, prático, leve e com gostinho de quero mais.

Risoto de bacalhau

Risoto de bacalhau

Eu não gosto de arroz.

Não é que eu repudie a base da alimentação de metade da população, apenas prefiro qualquer outra fonte de aminoácido ao tradicional arroz branco.

Na culinário japonesa me apetece muito mais o sashimi ao popular e bem sucedido sushi. Desprezo o moti pelo prazer do mandiu. Do gohan passo longe.

Quando penso em arroz me lembro que os navegantes do passado morriam de escorbuto e beriberi por se alimentarem durante muito tempo apenas deste cereal. Claro, a culpa era do arroz polido e da falta de vitamina C, mas eles não sabiam muito bem o que era isso.

E assim vivi bons e longos anos longe do arroz, até que um dia …

Adoro bacalhau. Pode ser por conta de uma remota ancestralidade portuguesa ou talvez porque bacalhau já foi comida de pobre. Mas seja por qual motivo, certa feita entre os poucos pratos disponíveis para escolha num cardápio vi-me compelido a pedir o que mais me aprazia. Era ele o dito cujo do risoto de bacalhau.

Nada mais que um arroz misturado com o meu precioso peixe salgado das águas frias. Ledo engano, eis que vem o prato e deu-se o milagre.

Macio, cremoso, suculento, saboroso, delicado, divino. E ainda por cima tinha bacalhau.

Nunca imaginara que um risoto pudesse ser tão diferente do nosso tradicional e corriqueiro arroz agulhinha.

Foi a partir desta remota experiência que passei a apreciar este ingrediente que, quando bem aplicado, se transforma no item principal de uma refeição completa.

Mas assim como um suculento filé está distante de um bife comum, um risoto bem preparado está a léguas de distância de um arroz branco temperado. Por isso mesmo sempre hesitei em adentrar neste terreno de mistérios e segredos das gramíneas de cepa nobre.

Hoje, depois de uma frustrante experiência no fim de semana com uma peça de peixe fresco, enchi-me de coragem e lancei-me ao desafio de fazer o primeiro risoto de minha vida.

Como já contava com um lombo de bacalhau dessalgado à disposição e sendo esse o sabor que melhor eu poderia julgar, essa foi a minha escolha natural.

Comecei consultando várias receitas na internet que julguei condizentes com o paladar que desejava alcançar. Sim, também consulto por aí dicas para o que desejo fazer.

Depois de juntar os passos e ingredientes necessários, lancei-me ao trabalho.

Coloquei para ferver um litro e meio de caldo de legumes para o cozimento do risoto.

Numa panela dourei em azeite dois dentes de alho amassados e uma cebola média ralada.

Acrescentei pouco mais de uma xícara de arroz arbóreo para dar uma fritada. Ele é o mais indicado para o preparo de risotos pois oferece uma boa consistência.

Acrescentei meia taça de vinho branco (uns 80 ml), e misturei bem até que o líquido começasse a ferver.

Nesse ponto comecei a acrescentar o caldo de legumes, sempre mexendo de modo a deixar o arroz cozinhar sem muito caldo, mas nunca deixando faltá-lo.

Enquanto isso lasquei 300 gramas de bacalhau dessalgado em pequenos pedaços (depois, ao provar nos demos conta de que podiam ser um pouco maiores para dar uma pouco mais de fibra ao prato).

Também piquei dois tomates em pequenos pedaços e um pouco de cheiro verde.

Quando o arroz começou a chegar no ponto acrescentei o bacalhau e misturei tudo com suavidade. Acrescentei ainda um pouco mais de caldo e permiti que cozinhasse até que o arroz estivesse “al dente”.

Finalizei misturando o tomate devidamente escorrido e o cheiro verde.

Pensei em colocar alguns champignons, mas acabei me esquecendo deste detalhe.

Antes de servir ainda acrescentei uma colher de manteiga ao risoto e mexi suavemente para que ele ganhasse um pouco mais de brilho e cremosidade.

O toque final foi dado pelo queijo parmesão ralado grosso salpicado sobre o prato.

Para acompanhar fizemos o sacrifício de secar a garrafa de Concha Y Toro Sauvignon Blanc que humildemente emprestara um pouco para dar alma ao prato.

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