Fajitas fajutas

Fajitas

Algumas piadas nascem prontas, e um trocadilho desses não podia passar em brancas nuvens.

Então eis que lhes apresento minhas fajitas fajutas (leia-se farritas farrutas que é para ficar bem amexicanizado).

Tenho imensa admiração pela cultura gastronomia e etílica do México. Por isso mesmo não sendo especialista me esforço em emular os deliciosos sabores daquela terra caliente.

Fajitas surgiram em meu cardápio meio que por acaso. E confesso que só experimentei uma realmente saborosa  no restaurante Guantanamera que fica na Rua Coronel Dulcídio, 540 – em Curitiba.

Sem querer fazer propaganda, mas já fazendo, fui lá uma única vez mas é um cantinho muito bom para ir acompanhado de pessoas especiais e que desejam comer bem.

Acontece que o restaurante, vejam só, é especializado em cozinha cubana!

Todas as demais experiências que tive com fajitas deixaram muito a desejar. Em bares, restaurantes ou shoppings era sempre aquela carne dura e sem tempero acompanha de doritos murchos.

E porque minha melhor experiência foi neste restaurante cubano, minhas referências passaram a ser fotos e receitas da internet.

De modo que posso afirmar sem sombra de dúvida que as minhas são as lerritimas farritas farrutas.

E foi assim que, com uns pedacinhos de bacon azeitando a frigideira, dourei alho e a carne de  alcatra cortada em finas e suculentas tirinhas.

A carne temperei com sal, pimenta calabresa, páprica picante, cominho e um pouco de tomilho. São os ingredientes que oferecem a combinação perfeita para alcançar o sabor de comida mexicana.

Depois acrescentei cebola, pimentão vermelho e amarelo. Usei também pimenta americana que tem a aparência da pimenta chili mexicana, mas se parece mesmo com um pimentão verde mais adocicado.

Depois foi só acrescentar um tomate pelado para dar uma consistência cremosa.

Na hora de servir, o segredo que me encantou no Guantanamera: uma generosa camada cremosa.

O creme foi preparado através da combinação do cream cheese e creme de alho enriquecido com cebola. Delicioso sabor que naceu da combinação de uma bem sucedida receita de creme de alho que minha esposa conseguiu em que fiz pequenos acréscimos.

A montagem do prato é a que se vê – doritos, fajitas e creme – regiamente regados a tequila e coronas geladas.

Arriba, abajo, al centro e adentro! Viva México!

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Restô d’antê d’ontê

Restô d'antê d'ontê

Quintessência da culinária guerrilheira, o Restô d’antê d’ontê é a reciclagem de ingredientes já combinados que em nada remetam à orgia gastronômica do dia anterior.

Era uma confraternização entre amigos do trabalho para a qual preparei filé mignon ao molho mostarda e também filé ao molho madeira.

Mas isso foi ontem e por mais que a comida estivesse boa, a fartura (ou seria restura?) já se fizera presente no almoço e repetir novamente o prato estava fora de questão.

Pelo adiantado da hora não dava para planejar muita coisa. Então fui picando a carne que ainda restava enquanto decidia o que fazer. Picar é um bom começo, ela fica desfigurada e começa a ficar difícil lembrar de onde veio.

Dourei bacon, alho e cebola. Sempre faço isso, mas me dá um tempo para pensar melhor no que fazer. Cogitei acrescentar dois ovos mexidos, mas desistir pelo adiantado da hora.

Coloquei direto a carne e deixei frigindo. Quando estava no ponto acrescentei pimentão vermelho e amarelo. Misturei bem, abri um espaço na frigideira e coloquei duas colheres de manteiga para derreter.

Misturei para deixar a carne bem molhada e fritinha (ah se eu tenho manteiga de garrafa), derramei uma generosa dose de cachaça saborizada com canela e flambei.

Quando o fogo se foi acrescentei algumas colheres de farinha de milho temperada, um toque de cheiro verde, mexi e servi guarnecido de batata palha.

O prato cumpriu bem sua função. Até demais.

Atendeu à fome de todos sem lembrar suas origens, fossem elas pobres ou nobres.

E é assim, pela necessidade de comer e pelo prazer de fazer que vou enriquecendo com um pouquinho daqui e dali , este espaço que é um pouquinho de todos nós.

Churrasco de picanha

Churrasco de picanha

Em meio a muita correria vai ficando mais e mais difícil arrumar tempo para compartilhar ideias e confraternizar neste espaço.

Não deixei de experimentar e pensar nos amigos que por aqui passam todos os dias.

Mas sabem como é, pensamos primeiro no próximo que está mais próximo.

E assim foi que cuidei da viagem de minha filha. Depois de semanas fora ela avisa que está chegando e me pede meigamente: – faz uma carninha prá mim?

Justo ela, a menos carnívora da família. Mas depois de um bom tempo comendo porcaria longe de casa a vontade de comer comida de verdade deve ser enorme. E pedido é pedido e a saudade justifica qualquer esforço.

Então, encontrei algumas picanhas gordas que permitissem o resultado que sei que ela aprecia.

Preparei um fogo forte e ligeiro.

Cortei a carne em fatias não muito grossas para alcançar o ponto em preparo rápido e temperei só com sal grosso.

Então é só começar a ginástica:

Churrasco de picanha

Coloca na grelha o pão de alho.
Uma picanha, duas, três.
Vira a primeira, a segunda, colocar a quarta,
Tira a primeira, vira a terceira,
coloca a quinta e tira a segunda,
colocar uma sexta e vira a quarta.
Vira o pão, vira a quinta.
Tira a quarta, vira a sexta.
Serve a quinta.
Pausa para respirar.
Serve a sexta.
Pit stop para cerveja.

Então é só começar novamente.

Macia e suculenta no ponto certo.

Infelizmente a foto não faz jus ao paladar. Primeiro que as melhores não podiam esperar para fazer pose e a máquina disponível também não era das melhores.

Mas valeu a tentativa de registrar este momento tão bom.

Prometo retomar o velho ritmo, pois como gosto de dizer: comer é necessário, mas prazer é fundamental.

E o melhor prazer é ter família ao lado e amigos com quem compartilhar estes momentos especiais.

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