Bacalhoada

Bacalhoada - detalhe

Existem coisas que são a cara da páscoa.

Reunião em família, ovos de chocolate, chuva (não lembro de páscoa sem ao menos tempo fechado) e filmes bíblicos de qualidade duvidosa e bacalhau.

Peixe de todos os tipos são consumidos nesta festividade, mas o bacalhau tem a cara da páscoa.

E dentre todos os tipos de preparo, a bacalhoada é a mais tradicional apresentação deste ingrediente que remete às nossas ancestrais tradições lusitanas.

Simples, o preparo lembra muito o da muqueca de peixe. Camadas alternadas de ingredientes levados ao fogo brando para cozinhar.

Bacalhoada

O bacalhau foi dessalgado de véspera. Os ingredientes foram cortados em rodelas.

Numa panela grande coloquei azeite de oliva extra virgem (não dá para usar outro tipo), alguns dentes de alho, uma camada de cebola, outra de tomates, pimentões vermelhos e amarelos, bacalhau, batatas  e um fio de azeite.

Repeti a mesma ordem de ingredientes finalizando com azeitoas pretas e tempero verde.

Levei ao fogo alto com tampa até levantar fervura, depois foi reduzi o fogo e com meia tampa deixei cozinhar até as batatas estarem cozidas e o caldo começar a reduzir.

Servido com arroz branco, salada verde e um vinho branco muito gelado a bacalhoada é melhor degustada quando regada com um bom azeite de oliva..

Não é preciso esperar um ano para repetir, mas a certeza de comê-lo na próxima páscoa já é um bom motivo para esperar a data.

Bacalhau grelhado

Existem tantas e tão saborosas receitas de bacalhau que, decerto, não inventei nada. Apenas copiei sem saber exatamente o que ou de quem.

Mas depois de uma noite NÃO dormida passada assando espetinhos variados, ouvindo saudáveis algazarras juvenis,  assistindo fórmula 1 e preparando café da manhã, acho que merecia uma receitinha gourmet.

A dias estava ensaiando preparar um filé de bacalhau dessalgado congelado que encontrei. Sem saber se era uma boa escolha ou não, comprei pela beleza da peça e pelas expectativas que me criou.

Então foi assim, depois de uma caminhada de 45 minutos para justificar uma Bohemia weiss, uma Erdinger, uma Petra Aurum e a derradeira Hauss Bier lager agradavelmente degustadas ao lado dos colegas de caminhada, comecei o preparo do prato.

Coloquei os filés de bacalhau, salpicados de sal e pimenta do reino, para grelhar em azeite e manteiga.

Numa frigideira aqueci farta dose de azeite e manteiga. Dourei dois dentes de alho picados e acrescentei uma colher de alcaparras escorridas.

Coloquei os filés já grelhados sobre o molho da frigideira e reguei com o próprio caldo até ganharem cor dourada e textura levemente crocante.

Tudo isso aconteceu enquando três tomates assavam em azeite e tempero.

Quando ficaram prontos foram acompanhados de uma refrescante salada de almeirão e cebola para guarnecer o bacalhau.

Não ficou bom, ficou ótimo! Foi o prelúdio ideal de uma noite maravilhosa.

Salmão ao pesto

Antes que acabe a quaresma é preciso aproveitar para saciar o apetite de pratos a base de peixe.

Acontece que nesta época a oferta de frutos do mar aumenta e mesmo com a maior procura os preços caem um pouco.

Então, aproveitando esta convergência de influências, mais uma vez o prato está posto à base de salmão ao molho pesto.

O peixe foi temperado com alho desidratado, sal, pimenta, limão e vinho branco.

Depois de descansado foi levado à grelha com manteiga e azeite até chegar ao ponto.

O pesto é um molho à base de manjericão, castanhas, parmesão e azeite. É facilmente encontrado pronto mas pode ser feito em casa também. É forte e deve ser usado com moderação para não saturar.

No meu caso uso o molho pronto, mas enriqueço com outros ingredientes.

Em azeite, dourei alho picado e cebolas em pétalas. Acrescentei um pouco de alcaparras para substituir o sal, champignons em metades e finalmente duas colheres de sopa de pesto.

Desliguei o fogo e acrescentei mais azeite misturando bem.

O molho foi levado à mesa a parte para que cada um se servisse como desejado.

Depois, foi só degustar acompanhado de um vinho branco bem gelado.

Ai,ai, ai! Nem acabou e já estou começando a sentir saudades desta fartura de pescados.

Taco de escarola com bacon

Gilberto é um competente chefe, bom amigo e pai exemplar que conheci no tempo em que morei em Cuiabá. Foi ele quem me apresentou as delícias de uma pizza com escarola.

Até então eu relutava em experimentar uma pizza de “capim”, mas bastou vencer o preconceito para ser seduzido logo na primeira dentada.

Hoje, tenho orgulho em dizer que meus filhos sempre gostaram deste sabor que é o mais consumido por todos de casa.

Noites de domingo pedem comidinhas leves para contrabalançar outros excessos cometidos durante o fim de semana.

E foi pensando assim que preparei um lanchinho leve e fácil de fazer a base de escarola.

Numa frigideira dourei bacon, alho e cebola. Depois acrescentei a escarola cortada fininha, misturei tudo e reservei.

Numa panquequeira aqueci algumas tortillas de trigo e estava tudo pronto para servir.

De minha parte montei o taco com alguns cubos de queijo gorgonzola, a escarola e reguei com um fio de azeite.

Ficou tudo muito gostoso e saudável.

Degustei recordando agradáveis experiências compartilhadas com amigos na distante e saudosa Cuiabá. Entre tantas lições aprendidas, o delicado sabor da escarola com bacon é uma das mais presentes.

 

Sweet midnight

Às vezes me arrisco. Talvez desnecessariamente, mas o risco compensa.

Minha querida esposa chega da aula, cansada e sem fome, mas com aquele desejo típico de quem está com vontade de comer um docinho.

Para sua tristeza, nenhum disponível no armário ou na geladeira.

Enquanto ela se prepara para descansar, disfarço e faço um inventário do que poderia usar para fazer uma guloseima de última hora.

Uma bola de sorvete de creme, uma barra de chocolate meio amargo e flocos de milho sem açúcar. Também encontro avelãs cruas em lascas.

Quebro a barra de chocolate e ponho a derreter no microondas. São 15 segundos, uma mexida, mais 15, mexo novamente e acrescento uma colher de sopa de kirsch (licor de cereja negra típica da Alemanha). Mais dez segundos e acrescento um pouco de creme de leite misturando tudo até obter uma consistência lisa e cremosa.

Numa frigideira derramo um pouco de lascas de avelã e deixo tostando.

Deposito a bola de sorvete num prato, acrescento os flocos de milho, derramo o chocolate aleatoriamente, coloco as avelãs tostadas e finalizo polvilhando açúcar de baunilha.

Quando chego com o prato ela já está deitada, mas o olhar não disfarçou a satisfação de ter um quitute para degustar antes de descansar de um longo e cansativo dia.

De brincadeira, resolvo batizar o acepipe de Sweet Midnight, numa alusão ao horário em que foi servido. Quando pergunto o que ela acha do nome ela diz que está bom, mas que poderia se chamar simplesmente mata-lombriga.

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