Peixe ao molho

Depois do sucesso da receita de frango ao molho Ana Maria, fui “convidado” a repetir a receita desta vez usando peixe.

A ideia pareceu tão boa que não resisti e já estou com ela aqui para demonstrar.

Utilizei um quilo de filés de tilápia, escorridos e secados para não gerar muito líquido, devidamente temperados com limão, sal e pimenta dedo de moça.

O molho foi basicamente o mesmo da receita de frango, requeijão, leite de coco e creme de leite. Troquei o vinho por uma dose de cachaça branca e a mostarda deu lugar à noz moscada.

Errar é humano. O peixe já estava começando a dourar quando o telefone tocou. Desliguei o fogo e deixei a travessa no forno enquanto atendia a ligação. Resultado, o molho secou um pouco além e o cheiro verde que deveria se integrar ao molho e ao queijo ralado acabou sobrando.

Que “pena” agora vou ter que repetir esta delícia.

Servi com arroz branco e salada verde de almeirão e não sobrou.

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Curiosa contradição

Arroz com nozes

No mesmo sábado, 12 de março, em que o caderno Opinião apresenta um texto do jornalista Clóvis de Almeida Godoy intitulado No mundo digital somos todos piratas, o Jornal O Paraná em pleno desrespeito ao direito autoral estampa uma fotografia de minha autoria, extraída do post Arroz com Nozes deste blog Restô d’Ontê sem autorização expressa e sem devida citação dos créditos.

O que poderia ser considerado uma homenagem ou ao menos referência torna-se flagrante desrespeito.

Isso porque o “profissional” responsável pelo caderno Oeste Rural, avançando para o campo delituoso, seu-se ao trabalho de editar a referida fotografia para remover desta a marca d’água que identifica a autoria.

Portanto, não há que se falar em descuido ou acidente. É desrespeito mesmo. É crime.

Basta comparar a foto original com a imagem scaneada daquela edição para verificar o flagrante desrespeito.

Na condição de veículo de comunicação jornalística, aquele Jornal não poderia permitir que, em flagrante desrespeito ao direito autoral e em detrimento da ética jornalística (vide at. 7º, inciso VIII do Código de ética dos jornalistas brasileiros) fosse utilizada uma imagem sem autorização expressa (quando possível) e (no mínimo) citação da fonte.

Acreditei, ingenuamente, que o citado código de ética, desrespeitado também em seu artigo 12, inciso V, seria ao menos restaurado no cumprimento ao inciso VI do mesmo artigo e que se refere à retratação do erro.

Mas que, nenhuma linha, nenhuma errata, nem telefonema privado pedindo desculpas pela humilhação.

No passado, contribui com aquele mesmo jornal fornecendo fotografias e textos, sempre devidamente citados. De modo que só posso acreditar que se trate de um ato isolado que, espero, não deverá se repetir.

É certo que na internet tudo é público e comum. Para isso criaram-se as licenças Creative Commons que preconizam o livre uso, desde que citada a fonte.

O sentimento que me aflige foi muito bem descrito pelo jornalista Clóvis de Almeida em seu artigo: “O produto de nosso trabalho é como um filho e quando nos tiram, dói a essência, dói na alma. É parte de nós surrupiada sem dó.”

É o que espero e desejo, o reconhecimento pelo amor, carinho e dedicação que aqui empenho.

Frango com ora-pro-nóbis

Certo dia cheguei a casa e encontrei minha esposa toda entusiasmada com uma receita que fora apresentada em uma edição do programa Mundo da Alimentação que era exibido pela TV Senac, atual Sesc TV.

Dias depois assisti à matéria e conferi a receita de frango com ora-pro-nóbis. Ela era apresentada temperada com história e curiosidades sobre a vida e a culinária tipicamente mineira da cidade de Tiradentes.

Alguns anos depois visitamos aquela acolhedora cidade histórica e nos empenhamos em encontrar o restaurante que aparecera naquele documentário. Até conseguimos, mas infelizmente estava fechado e perdemos a oportunidade de provar este prato típico em sua mais perfeita acepção.

Segundo a lenda o nome ora-pro-nóbis seria uma corruptela de orai por nós e resultaria da prática de rezar a ladainha durante sua colheita.

Lendas a parte, trata-se de um vegetal rico em vitaminas e ferro cujas folhas são muito utilizadas em refogados e também no preparo de farinhas e temperos.

Quando meu vizinho me contou que havia conseguido uma muda da planta de pronto deixei-o avisado para me ceder algumas folhas tão logo surgisse a primeira florada (a planta dá flores que também são comestíveis).

Esta semana tive o privilégio de experimentar.

Com muita expectativa, abasteci-me de uma reserva de cachaça Maria da Cruz e encarei a tarefa.

Lavei as folhas muito verdes de ora-pro-nóbis, cortei fora o talo e reservei.

Algo que ouvi pela primeira vez neste mesmo programa de TV foi a prática mineira de tirar o mal da carne com cachaça. Tornou-se um hábito fazê-lo e não há preparo de carnes de frango ou porco que eu comece sem fazer isso. Há quem use limão, mas eu prefiro a cachaça e eventualmente um pouco de vinagre.

Fritei um pouco de bacon, dourei alho e cebola e refoguei 1 kg de carne de frango cortado em pequenos pedaços e temperado com sal.

Depois disso, baixei o fogo e acrescentei um tablete de caldo de galinha dissolvido em um copo de água, uma colher de vinagre, outra de shoyo e uma colher de colorau. Também acrescentei uma pimenta dedo de moça e meio pimentão vermelho picados.

Deixei cozinhando até engrossar o caldo e por fim acrescentei sobre o cozido, sem misturar, umas quarenta folhas de ora-pro-nóbis cortada em tiras grossas e tampei.

Deixei abafado em fogo baixo pelo tempo necessário para arrumar a mesa e servi com arroz branco e angu.

O prato ficou bonito e delicioso. É importante frisar que a verdura não deixou nenhum sabor marcante o que causou certa frustração.

Mas degustando, bastava fechar os olhos para lembrar das tardes preguiçosas nas históricas ruas de Tiradentes e desejar voltar para provar este prato na raiz e assim descobrir se minha versão pelo menos não envergonha muito a original.

Mais uma branquinha, brindo à oportunidade de voltar.

Frango ao molho ana maria

Feriado de carnaval, cansaço, ressaca.

Acordo “de madrugada” lá pelas nove horas da manhã e enquanto preparo o café ligo a TV e está lá a rainha das manhãs semanais da Globo apresentando receitas fáceis para marido impressionar nesse dia internacional da mulher.

E não é que ela me vem com uma receita de arroz com castanhas, muito mal copiada, da minha receita de arroz com nozes ?!? De comum apenas umas castanhinhas perdidas no meio do arroz amanhecido.

Ela me plagiou então resolvi revidar plagiando ela também. No mesmo programa ela fez um frango ao molho que depois de pronto encheu a tela com tantos huuuummmm que mal dava para ver o louro enchendo a pança.

Como já estava decidido que o almoço seria um filé aranha, deixei para pesquisar a receita e executá-la à noite.

Quando chegou a hora, de pirraça mudei quase tudo. Deixei intacto apenas o frango e alguns ingredientes, mas mudei as quantidades.

Primeiro tirei o mal da carne com cachaça e vinagre. Temperei levemente e deixei descansar.

Aqueci o azeite, derreti uns pedacinhos de bacon e fritei levemente o frango. Adicionei ainda alho e cebola picados. Reservei.

Numa vasilha misturei bem:

  • um copo de requeijão (200g),
  • 200 ml de leite de coco,
  • 200 ml de creme de leite,
  • uma taça de vinho branco,
  • uma colher de sopa de mostarda,
  • cheiro verde e cebolinha picados e
  • uma pimenta dedo de moça picada.

Untei um marinex com azeite, espalhei o frango frito, cobri com um pacote de creme de cebola em pó e derramei sobre ele o creme batido.

Levei ao forno pré-aquecido e deixei até dourar.

Para acompanhar, arroz branco fresquinho (por desaforo) e salada verde.

Huuuuuuummmmm, huuuuuuummmmm, huuuuuuummmmm.

Todo mundo se lambeu e só sobrou história prá contar.

Brincadeiras a parte, o Frango sem Mistério apresentado no programa Mais Você é apenas mais uma das muitas contribuições que a competente e simpática Ana Maria Braga trás a público para provar que não é tão difícil ter bom gosto e apurar o paladar.

Através dela saúdo todas as mulheres, e agradecido, rendo meus votos de sucesso, paz e felicidades.

Leia aqui uma mensagem para você, MULHER.

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