Sukiyaki

Sukiyaki

Se fosse calcular, vinte e cinco porcento do sangue que corre em casa é japonês.

Assim fica fácil explicar porque ocasionalmente tenho que me render às receitas orientais.

No caso das japonesas não são lá muito fáceis, mas são deliciosamente leves e saudáveis.

A primeira vez que degustei um sukiyaki foi aos quinze anos, no meu primeiro emprego, preparado pelos chefes japoneses da empresa. Não leva peixe na receita, mas o sabor me fisgou de imediato apesar da estranha prática de molhar as carnes em ovo cru e shoyu.

Muitas pessoas confundem o sukiyaki com o yakisoba. O primeiro é japonês e o segundo chinês. Em comum ambos levam macarrão e legumes, mas as diferenças param por aí.

O yakisoba é totalmente preparado antes de ser servido e leva muito molho de shoyo espesso. O sukiyaki, em sua melhor tradição, é finalizado pelos comensais como uma fondue.

Em minha singela adaptação desse tradicional prato, comecei selecionando, lavando e picando todos os ingredientes.

Alho em pedaços grosseiros, cebola e lascas finas, cenoura em rodelas, brócolis, carne de frango em pequenas tiras, ervilha em vagem, couve-flor, broto de feijão, cebolinha e salsinha.

Não tinha a disposição, mas poderia ter acrescentado acelga, vagem e broto de bambu.

A couve, cenoura e brócolis cozeram brevemente no vapor para encurtar o processo.

Abafei o broto de feijão por alguns minutos em água quente.

Cozinhei o macarrão lámen pelo tempo exigido, escorri, adicionei manteiga, reservei em um marinex untado com manteiga e levei ao forno pré-aquecido em temperatura mínima.

A experiência gastronômica do sukiyaki deveria começar agora, com todos os comensais depositando manteiga no fundo de um tacho ou frigideira grande e adicionando os ingredientes aos poucos.

Mas no meu caso, estou preparando sozinho o prato, degustando um santo grau e ouvindo Regina Casé fazendo graça na TV enquanto o carnaval não chega. Então, inicio o preparo do prato propriamente dito com um pouco de azeite no qual derreto manteiga, acrescento o alho e depois a carne. O sal é pouco, pois chego o sabor ao final com shoyo.

Depois vou acrescentando os ingredientes do mais tenro aos mais frágeis terminando pelo broto de feijão e pelo macarrão. Salpico uma generosa dose de glutamato para dar aquele toque oriental, misturo bem e banzaaai !

Sukiyaki

Esse é um tipo de prato único. Não precisa de complemento, acompanhamento nem guarnição.

Cação ao creme de gergelim

Cação ao creme de gergelim

Enquanto o preço da carne vermelha ainda está nas alturas, aproveito para me refestelar de receita a base de peixes.

Cação é um peixe que prefiro comer fresco, na praia. Os congelados em geral tem uma textura menos tenra e se prestam melhor a cozidos e ensopados.

Mas é um dos últimos finais de semana de sol e calor que poderei testemunhar nessas (para mim) gélidas e ventosas paragens do sul.

Então vamos aos cação grelhado ao creme de gergelim

O Grelhado

Usei algumas peças de lombo de cação sem pele, congelados premium da marca Frescatto.

Uma vez descongelados em água fria, marinei o peixe em limão com sal e pimenta durante meia hora.

Depois, coloquei numa grelha sobre uma assadeira e deixei outra meia hora sob o sol para que ele perdesse um pouco de umidade. Pude fazê-lo pois o sol ainda não estava muito forte. Faço isso para obter firmeza na carne. Algumas vezes utilizo o forno, mas o resultado não é tão bom.

Cortei em filés grossos, ajustei o sal e levei para grelhar em chapa de ferro com azeite e manteiga.

O Creme

A base do creme foi um daqueles pacotes de creme de cebola que se compra no supermercado. Preparei seguindo a receita da embalagem, mas com a metade da água recomendada.

À parte, tostei gergelim numa frigideira e reservei.

No mesmo utensílio dourei alho e cebola no azeite com manteiga e acrescentei o gergelim tostado.

Derramei sobre a fritura o creme anteriormente preparado, acrescentei duas colheres de creme de leite e salpiquei cheiro verde.

Hummmm

Servi o peixe grelhado já coberto pelo molho.

E para acompanhar, uma salada mista e um vinho branco gelado. Tudo muito refrescante.

Cação ao creme de gergelim - detalhe

Soborô

Soborô

Depois do post anterior, fui ironizado por minha própria filha que disse que de restô minhas receitas não tinham nada.

Precisei explicar que, como bem cunhou o mestre Paulo Tiefenthaler, mentor do Larica Total, culinária de querrilha não é só uma questão de aproveitar as sobras da geladeira.

É usar a criatividade e a imaginação a partir dos ingredientes disponíveis e executar pratos saborosos e divertidos.

É como tentei traduzir na introdução deste blog: comer é preciso, mas prazer é fundamental.

Justamente por isso minhas receitas não são exatamente receitas, mas narrativas do processo “criativo”. Por vezes sucinta, outras longas. Monótonas ou animadas, elas tentam retratar o estado de espírito que envolveu sua elaboração.

E por causa dessa crítica resolvi fazer essa legítima iguaria oriental que representa ao mesmo tempo o espírito desse blog como a resposta ao desafio que me foi imposto. Nada a ver com o fato de que acordei tarde e emborrachado.

O soborô, (ou sorobô como preferem alguns) é um prato a base de arroz amanhecido e incrementado com tudo que você encontrar de comestível pela frente e que possa ser acrescentado sem se dissolver por completo.

Nesse caso a meia xícara de arroz que mal-e-mal serviria para alimentar um gato, foi recebendo incorporações que culminaram num prato que serviu quatro pessoas com folga.

Comecei fritando cubos de bacon aos quais acrescentei filetes de alho e um fio de azeite.

Adicionei cebolas picadas e, ainda crocantes, reservei no canto da frigideira para dar espaço para preparar dois ovos mexidos que depois se misturaram aos demais ingredientes.

Depois fui acrescentando tudo que encontrei e reduzi a cubos: cenoura, pimentão vermelho, pimenta cambuci, milho, ervilhas congeladas (previamente descongeladas em água fervente), azeitonas,  presunto cozido e até mesmo abacaxi (olha ele aí outra vez).

O toque oriental foi obtido acrescentando-se uma colher de sopa de shoyo e uma de glutamato monosódico, o popular aji-no-moto.

Por fim, salpico cheiro verde e sirvo.

A essa altura já deu para notar que bacon, alho e cheiro verde aparecem em praticamente todas as minhas receitas. É uma prova de que não estou repassando receitas, mas comentando experiências.

Para encerrar, deixo uma mensagem do profeta para enlevar os espírito ainda não convertidos.

Em verdade, em verdade vos digo meus filhos, há mais mistérios entre a geladeira e o fogão do que pode conter nossa pequena cumbuquinha.

Mignon suíno agridoce

Mignon suíno agridoce

Sem muita inspiração sobre que destino dar a uma peça de filé mignon suíno, deixei-me inspirar pelo abacaxi que tá barato prá caramba (vide post anterior) e alguma pimentas cambuci vermelhas que nunca tinha visto.

Temperei então a peça de filé com sal, pimenta, limão e uma dose de cachaça para tirar o mal da carne.

Cortei em fatias por toda a extensão da peça, mas sem atravessar o corte. Preenchi esses espaços com meias fatias de abacaxi, cobri com papel alumínio e levei ao forno para assar em temperatura média.

Enquanto isso, preparei todos os ingredientes para o molho agridoce. Cebola, pimenta cambuci verde (a tradicional) e as vermelhas, pimentão vermelho e abacaxi. Todos cortados em pequenos quadrados.

O caldo do molho, propriamente dito, preparei num copo. Uma colher de sobremesa de amido de milho dissolvido em um pouco de água. Ainda acrescentei shoyo, uma colher de açucar e três colheres de vinagre. misturei tudo bem e reservei.

Quando o mignon já estava assado, retirei o alumínio e deixei no grill do forno até dourar.

Na minha fiel panela wok dourei um pouco de bacon e alho em azeite. Acrescentei a cebola depois as pimentas e pimentões.

Refogados, mas ainda crocantes, adicionei o abacaxi e o caldo que ele produz quando é cortado. Por último o molho. Deixei no fogo médio até começar a engrossar.

Arroz chinês e mignon suíno agridoce

Finalmente foi só derramar sobre o lombo e servir acompanhado de arroz chinês.

%d blogueiros gostam disto: