Chartreuse de carne seca e caldo de feijão

Chartreuse de carne seca e caldo de feijão

Disse o poeta que há mais mistérios entre o céu e a terra do que pode conceber nossa vã filosofia.

E isso se aplica com precisão ao presente caso.

Não sei o que estava procurando na internet quando me deparei com uma certa receita com esse nome chique.

Chartreuse, em tradução literal do francês, é o nome da cor verde-amarelada.

É também o nome de um licor de ervas produzido desde 1605 pela ordem monástica Chartreuse, de onde recebeu o nome.

Mas não sei de onde, fiquei com a impressão de que a palavra tinha um significado de coisa oculta, escondida. Mistério de períodos eleitorais talvez.

Fosse qual fosse o desígnio que se abateu sobre mim naquele momento em que navegava displicente pela ondas internáuticas, lá estava eu diante de um prato cheio de mistério e encantamento, mas que me fazia lembrar…. feijoada.

Então, adaptei a receita para usar couve em lugar da original acelga. Deixei de lado o bacalhau em favor de uma abobrinha para acrescentar textura e umidade à receita. Qualquer dia desses me atraco com uma peça de bacalhau e executo a receita original.

Me concentrei em fazer um refogado de carne seca que exalasse os aromas e sabores de uma deliciosa feijoada.

Aproveitei o feijão de véspera para fazer o caldinho com sabor levemente picante. Era da qualidade carioquinha  e,  por isso mesmo, esse foi o ingrediente que mais destoou, mais pela cor que pelo sabor (porque os cariocas gostam de feijão preto se o feijão carioquinha é marrom?).

Chartreuse de carne seca e caldo de feijão

Essa receita foi sugerida como entrada, mas acompanhada de uma dose de cachaça Seleta, virou atração principal.

Anúncios

Calabresa acebolada

Calabresa acebolada

Talvez essa seja minha primeira e mais tradicional receita.

Ela é inspirada no cardápio do saudoso Bar do Baiano – O Rei das Batidas que tantas vezes frequentei em minha saudosa cidade natal: Londrina.

O bar, com suas mesinhas de fórmica e banquinhos, ficava nos fundos de um posto de gasolina no entroncamento das Avenidas J.K., Tirandentes, Rio Branco e Rua Quintino Bocaiúva.

O dono do posto era meu amigo e, supremo sacrilégio, pediu o ponto de volta obrigando o Baiano a mudar de endereço. Primeiro na rua Maringá, depois na Av. Higienópolis. A qualidade e o atendimento continuaram os mesmos, mas a aura de magia que envolvia aquele lugar rústico e despojado se perdeu para sempre.

O Baiano, que na verdade é um japonês bonachão e ferrenho corinthiano, tinha um cardápio com os mais tradicionais pratos da culinária de botequim.

Tinha o bolinho de bacalhau (com bacalhau de verdade), o charque acebolado, o filé ao molho, e vários outros pratos sempre acompanhados de batidinhas de frutas que faziam a alegria das mulheres e GELAAAADAS Antarcticas faixa azul como não se encontram mais.

Foi de lá de carreguei com saudades essa receita de linguiça calabresa acebolada que sempre fiz questão de acompanhar com fatias de pão francês, molho de pimenta e cervejas (no plural).

Para o preparo, uso calabresas daquelas embaladas a vácuo que se encontram na seção de embutidos no supermercado.

Removo a pele e fatio em rodelas não muito grossas.

Numa frigideira grande refogo, com pouco azeite, bacon e alho. Acrescento a linguiça. Particularmente não acrescento óleo pois a calabresa solta muito óleo sendo necessário, às vezes, retirar o excesso. Também não acrescento sal pois embutidos são ricos em sódio.

Quando fritas, acrescento uma cebola média cortada em meia lua, um tomate picado, lascas de cenoura, cheiro verde e uma dose de molho de soja (shoyo).

Pode-se comer o petisco com fatias de pão como suporte, palitinhos ou até no prato. Seja como for, é de se lamber dos dedos…

Salmão à moda de Anália

Salmão à moda Anália

Sábado: Vou ao supermercado para comprar coisinhas para a semana.

Mas meu pensamento está obliterado, o que fazer para o almoço de domingo?

Tenho um belo filezão de salmão no congelador.  Comprado por impulso na semana passada, estou ansioso e angustiado para fazê-lo, mas me falta a inspiração.

Casualmente me encontro com a boa amiga Anália; seja em opiniões ou receitas, sempre uma fonte de inspiração; comprando …
salmão!

E ela sentencia:

DEPOIS de remover aquela parte mais escura no dorso do filé, coloque no forno coberto com papel alumínio, regado a pimenta, sal, alcaparras e manteiga.

Mas, teimoso que sou, acrescento boa dose de azeite, alguns dentes de alho e um ramo de alecrim que, para mim, é a alma do tempero de peixes.

Trinta minutos depois, que meu forno é lento, agradávelmente passados com pedacinhos de queijo grana acompanhado de uma cachaça Januária, removo o alumínio, cubro o peixe com um pote de requeijão cremoso salpicado de tempero para vinagrete e um pouco de parmesão e retorno ao fogo para mais dez minutos.

Enquanto isso, preparo uma salada básica de alface com tomate e cenoura ralada.

Também aproveitei o arroz de véspera. Foi só refogar na manteiga uma porção de castanhas, de cajú, do pará e um pouco de gergelim acrescentando o arroz e cheiro verde ao final.

O salmão, já gratinado, pois deu tempo de ligar a grelha por cinco minutos, foi servido e sorvido com sofregidão.

Acompanhado de um Cabernet Elementos Argentino, ficou sublime.

Salmão à moda Anália

As boas lembranças foram para a amiga que forneceu a receita e compartilhou a receita à distância.

Ah, como ficou bom!

O sofrimento ficou para minha pequena poodle. Só sobrou o cheirinho para saciar seu paladar.

Lasanha com espinafre

Lasanha com espinafre

Massa é básico.

Não se passa semana sem degustar alguma, seja macarrão, nhoque, pizza ou sua mais sublime variação: lasanha !

Sim, ela mesma, a fonte básica da alimentação de nosso querido Garfield.

Mas lasanhas, há aos montes. Boas entretando, bem poucas.

E qual a razão? Muitas! Massa mole, queijo ruim, molho em excesso.

Essa, que não é minha criação, mas da minha amada companheira, sempre resulta perfeita.

Massa grano duro, molho vermelho na medida, queijo magro, montada de véspera, com espinafre para acrescentar sabor, textura e saúde e coberta por um delicioso molho bechamel.

Para servir, basta uma hora de forno brando e mais uns vinte após desligar o forno (para firmar a massa).

Prazer inigualável e satisfação garantida.

Salmão com alcaparras

Salmão com alcaparras

Quando se quer fugir do tradicional circuito carne-massa, a melhor alternativa é apelar para um peixe.

Resulta sempre num prato leve, saudável, nutritivo e que nos abre um horizonte de sabores, aromas e texturas que não são possíveis com outros ingredientes.

Dessa vez escolhi filé de Salmão, pelo óbvio motivo de que estava com bom preço e  peças bonitas. Congelado, claro, com pele e sem defumação.

Descongelei de pronto, na própria embalagem, em uma travessa com água.

Para o tempero usei um preparado em pó para vinagrete, sal e limão. Queria acrescentar um cálice de vinho branco, mas a última garrafa de chardonnay se acabou na noite anterior em meio a uma tábua de queijos.

Por isso mesmo a alternativa era abrir um Merlot argentino de sabor levemente frutado  e deixar respirar enquanto espalho o tempero no peixe e deixo descansar alguns minutos.

Os filés foram grelhados em chapa de ferro, permanecendo macios e com boa textura.

Quando estavam quase prontos aqueci uma frigideira com bastante azeite, derreti a manteiga, dourei o alho e acrescentei as alcaparras com um pouco da água de conserva e um pouco de rum.

Ainda quente derramei o azeite sobre o salmão.

Nem arroz foi preciso, bastou uma salada bem sortida e colorida para arrematar.

%d blogueiros gostam disto: