Mostre-me tudo, não me esconda nada !

Escondidinho

Prato típico da culinária botequeira, é difícil afirmar de onde vêm esta delícia que entope nossas veias.

Uns dizem que é pernambucana pois contém carne seca, outros afirmam que veio do ceará pois é feita com macaxeira (a nossa popular mandioca), alguns afirmam que é mineira pois leva queijo, enquanto uns tantos outros dizem que é gaúcha pois tem tudo isso na receita.

Paternidades a parte (vixe) o que importa é que ela se espalhou pelas cozinhas do país inteiro carregando um forte sotaque nordestino e é apreciada, sem preconceitos, por todos.

Por conta de sua popularização encontra-se uma grande variedade de receitas. Temos escondidinhos de bacalhau, camarão, frango, carne moída, carnes nobres, vegetariana e sabe-se lá mais o que vão inventar.

Isso é bom, mas está ficando até difícil de encontrar um legítimo escondidinho de carne seca.

Fazer até que não é difícil, mas dá um pouco de trabalho pois são várias etapas que se complementam. O bom é que este prato pode facilmente ser feito de véspera sem perder a qualidade.

E foi justamente por conta desta qualidade muito prática que esta receita se materializou.

Claro que optei pelo caminho mais fácil, embora não tão saboroso – substituir a mandioca pela batata. Primeiro porque, infelizmente, há épocas em que encontrar mandioca que cozinhe é tarefa digna de semi-deus, mas principalmente porque batata eu tinha em casa, mandioca não.

Então vamos mostrar o que se esconde por baixo de uma suculenta camada de queijo gratinado.

Cozinhei um pouco mais de meio quilo de batatas em vapor, devidamente picadas e descascadas que é para não aguar demais e também não perder nutrientes.

Lavo a carne seca em água quente para retirar o excesso de sal e coloco na panela de pressão para amolecer.

Como agora é preciso esperar, tomo a corajosa decisão de enfrentar tão nobre empreitada ao lado de uma uma companhia a altura do desafio. E me espera, pronta para qualquer sacrifício, uma deliciosa cachaça mineira de nome europeu – a Germana.

Aproveito que as panelas por enquanto podem trabalhar sem intervenção e vou preparando os acessórios.

Para a carne, pico uma colher de bacon, fatio dois dentes de alho, uma cebola grande, ralo uma cenoura, e deixo picado cheiro verde que baste. No meu caso cheiro verde nunca é demais, dfatio dois dentes de alho, modo que é o que sempre leva mais tempo.

Por último, lambuzo os dedos com óleo e pico uma pimenta dedo de moça, sem sementes. Untar os dedos com óleo é uma dica para evitar ficar com os dedos “picantes”.

A carne seca, já cozida, desfio completamente.

É nessas horas que a gente descobre que nada é melhor que a experiência. Quando precisamos desfiar carne seca é que entendemos os cuidados que temos que ter na hora de comprar. Para uma prato como esse por exemplo é melhor que seja charque de dianteiro, com pouca gordura e pedaços de tamanho uniforme. Tudo isso facilita na hora de desfiar.

Nesse ponto dei uma gelada na germana e preferi a companhia de uma cerveja gelada. Afinal, foi trabalho para uma hora diante de uma TV aberta que insiste em mostrar porcaria nenhuma.

Carne desfiada, acendo o fogo, aqueço a panela com óleo e uma colher de manteiga e vou acrescentando e dourando todos os ingredientes reservados para a carne e refogo a carne seca deixando-a bem suculenta.

À batata amassada acrescento um pote de requeijão cremoso e misturo bem. Aos poucos vou acrescentando também creme de leite até obter uma massa lisa e cremosa.

Unto com azeite uma forma refratária uns 30 centímetros e coloco uma camada deste purê. Adiciono uma camada com a carne refogada que sobrou (pois estou degustando sem cerimônia juntamente com a germana que, a esta altura, já voltou para a refrega). Cubro com outra camada do purê que ainda resta e salpico uma generosa camada de queijo parmesão ralado.

No meu caso, ainda demorou um dia para degustar essa delícia, e é bom não ter pressa, é preciso pré-aquecer o forno por 10 minutos, colocar a travessa e deixar outros 20 minutos ou até dourar.

Mais uma germana, um molho de pimenta para acompanhar e uma boa cerveja de trigo para arrematar…

Ahhhh, os prazeres da revelação !

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