Bêbado, só o frango.

 

Frango bêbado

Frango é veículo !

Como disse um personagem no filme Matrix, quando resolveram programar o sabor de frango, não sabiam qual era, conclusão frango não tem gosto de nada!

Ou melhor, frango tem gosto daquilo que se incorpora ao preparo do frango.

Frango é veículo, suporte, do sabor.

Nesse caso, o sabor do bacon e da cerveja.

O medalhão de frango que se encontra em bares e restaurante é frito. E frango frito, regra geral, tende a ficar muito seco.

Esse frango bêbado, ao contrário é assado. Além de mais saudável (com bacon sim senhor) ele fica mais “molhadinho” (entende) !

Então vamos a ele:

Um peito de frango (mas pode ser tanto quanto você deseje preparar) picado em pedaços não muito grandes.

Fatias de bacon que bastem para envolver o frango. Eu não envolvo completamente. Deixo a parte de baixo do frango “a descoberto”.

O frango deve estar temperado com sal, pimenta e alho, pelo menos 30 minutos antes de começar a envolvê-lo com bacon. Isso faz com que o sabor penetre um pouco mais no veículo.

DICA: Antes de temperar o frango, tire o “mal” da carne, ou seja, regue o frango com cachaça, vinagre ou suco de limão, e deixe descansar por uns 10 minutos. Isso livra a carne da viscosidade natural dela.

À medida que prender o bacon à carne com um palito de dentes, vá acondicionando numa refratária.

Pré-aqueça o forno por 20 minutos, regue os medalhões com cerveja até que eles fiquem com metade de sua altura coberta.

Leve ao forno até secar toda a cerveja. Mas antes disso, vire (isso dá trabalho) pedacinho por pedacinho quando estiverem dourados na superfície, para que a parte inferior fique dourada também.

Sirva acompanhado de um molho tártaro, um molho rosé (duas partes de maionese, uma de catchup, uma de mostarda, uma pitada de sal. uma de pimenta do reino e uma de noz moscada) e um molho de pimenta que não pode faltar.

Uma dose de Claudionor e muitas cervejinhas a mais e pronto, vira banquete !

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Mostre-me tudo, não me esconda nada !

Escondidinho

Prato típico da culinária botequeira, é difícil afirmar de onde vêm esta delícia que entope nossas veias.

Uns dizem que é pernambucana pois contém carne seca, outros afirmam que veio do ceará pois é feita com macaxeira (a nossa popular mandioca), alguns afirmam que é mineira pois leva queijo, enquanto uns tantos outros dizem que é gaúcha pois tem tudo isso na receita.

Paternidades a parte (vixe) o que importa é que ela se espalhou pelas cozinhas do país inteiro carregando um forte sotaque nordestino e é apreciada, sem preconceitos, por todos.

Por conta de sua popularização encontra-se uma grande variedade de receitas. Temos escondidinhos de bacalhau, camarão, frango, carne moída, carnes nobres, vegetariana e sabe-se lá mais o que vão inventar.

Isso é bom, mas está ficando até difícil de encontrar um legítimo escondidinho de carne seca.

Fazer até que não é difícil, mas dá um pouco de trabalho pois são várias etapas que se complementam. O bom é que este prato pode facilmente ser feito de véspera sem perder a qualidade.

E foi justamente por conta desta qualidade muito prática que esta receita se materializou.

Claro que optei pelo caminho mais fácil, embora não tão saboroso – substituir a mandioca pela batata. Primeiro porque, infelizmente, há épocas em que encontrar mandioca que cozinhe é tarefa digna de semi-deus, mas principalmente porque batata eu tinha em casa, mandioca não.

Então vamos mostrar o que se esconde por baixo de uma suculenta camada de queijo gratinado.

Cozinhei um pouco mais de meio quilo de batatas em vapor, devidamente picadas e descascadas que é para não aguar demais e também não perder nutrientes.

Lavo a carne seca em água quente para retirar o excesso de sal e coloco na panela de pressão para amolecer.

Como agora é preciso esperar, tomo a corajosa decisão de enfrentar tão nobre empreitada ao lado de uma uma companhia a altura do desafio. E me espera, pronta para qualquer sacrifício, uma deliciosa cachaça mineira de nome europeu – a Germana.

Aproveito que as panelas por enquanto podem trabalhar sem intervenção e vou preparando os acessórios.

Para a carne, pico uma colher de bacon, fatio dois dentes de alho, uma cebola grande, ralo uma cenoura, e deixo picado cheiro verde que baste. No meu caso cheiro verde nunca é demais, dfatio dois dentes de alho, modo que é o que sempre leva mais tempo.

Por último, lambuzo os dedos com óleo e pico uma pimenta dedo de moça, sem sementes. Untar os dedos com óleo é uma dica para evitar ficar com os dedos “picantes”.

A carne seca, já cozida, desfio completamente.

É nessas horas que a gente descobre que nada é melhor que a experiência. Quando precisamos desfiar carne seca é que entendemos os cuidados que temos que ter na hora de comprar. Para uma prato como esse por exemplo é melhor que seja charque de dianteiro, com pouca gordura e pedaços de tamanho uniforme. Tudo isso facilita na hora de desfiar.

Nesse ponto dei uma gelada na germana e preferi a companhia de uma cerveja gelada. Afinal, foi trabalho para uma hora diante de uma TV aberta que insiste em mostrar porcaria nenhuma.

Carne desfiada, acendo o fogo, aqueço a panela com óleo e uma colher de manteiga e vou acrescentando e dourando todos os ingredientes reservados para a carne e refogo a carne seca deixando-a bem suculenta.

À batata amassada acrescento um pote de requeijão cremoso e misturo bem. Aos poucos vou acrescentando também creme de leite até obter uma massa lisa e cremosa.

Unto com azeite uma forma refratária uns 30 centímetros e coloco uma camada deste purê. Adiciono uma camada com a carne refogada que sobrou (pois estou degustando sem cerimônia juntamente com a germana que, a esta altura, já voltou para a refrega). Cubro com outra camada do purê que ainda resta e salpico uma generosa camada de queijo parmesão ralado.

No meu caso, ainda demorou um dia para degustar essa delícia, e é bom não ter pressa, é preciso pré-aquecer o forno por 10 minutos, colocar a travessa e deixar outros 20 minutos ou até dourar.

Mais uma germana, um molho de pimenta para acompanhar e uma boa cerveja de trigo para arrematar…

Ahhhh, os prazeres da revelação !

Nachos Mutcho Machos

Ah, o picante sabor da comida mexicana.

Porque ninguém prepara comida mexicana se não estiver em busca de emoçoes fortes.

E que melhor desculpa para fartas doses adocicadas da mais saborosa Jose Cuervo prata especial.

ONE TEQUILA,
Limão, sal e tequila. Munição a postos e engatilhada.

Começo a separar e picar todos os ingredientes. Todos em pequenos cubinhos para que as muitas cores dos ingredientes pudessem se somar ao sabor do prato.

Minha velha wok de guerra vai esquentando, entra um fio de azeite e o bacon. Devidamente aquecidos, acrescento o alho picado (não moído que isso é frescura).

Antes que eles dourem demais vem a carne moída, de primeira, bem limpinha.

TWO TEQUILA,
Novo disparo. Bandidos tremei !!!

Vou fritando, mexendo sempre, tomando cuidado para não queimar.

Abro espaço no centro da panela e acrescento a cebola. Quando ela fica naquele ponto de transparência e crocância misturo bem com a carne e acrescento a cenoura.

O pimentão vem logo a seguir. Se for do tipo verde use com parcimônia, meio é suficiente. Mas se quiser impressionar use o vermelho e o amarelo. Meio de cada pois acrescentam sabor e não afetam a memória, entende.

Nesse momento é interessante colocar num copo o colorau, cominho, tomilho, páprica, orégano, sal, uma colher de catchup ou molho de tomate, um pouco de água e mexer bem.

THREE TEQUILA,
Mais um bandoleiro abatido pela arma mais rápida do oeste…

Na panela acrescente o tomate e regue com o tempero. Abaixe o fogo, mexa bem e deixe cozinhar um pouco.

Para quem gosta de emoções fortes, acrescente a pimenta dedo de moça picada.

Finalmente, adicione as azeitonas, o cheiro verde e mexa bem.

Sirva com doritos, de preferência aquele novo tipo DIPPAS que é mais suave e não tem o tempero de queijo.

FLOOR…
Inimigos fulmilados, a vila está salva, resta o beijo da mocinha…

Abro uma leve cerveja SOL importada, coloco uma pedaço de limão no gargalo, entre um gole e outro degusto um nacho com carne e cream chease… ahhhh, Cancún não é aqui, mas é bem melhor que aqueles nachos de shopping center.

Ingredientes para uma receita perfeita, na ordem em que vão para a panela:

  • 50g de bacon picado
  • 2 dentes de alho
  • 500g de carne moída de primeira
  • uma cebola
  • uma cenoura
  • pimentão verde, vermelho e amarelo
  • um tomate tenro
  • uma colher de sopa de colorau (urucum)
  • uma colher de café de páprica picante
  • uma colher de café de cominho
  • meia colher de café de tomilho
  • meia colher de soba de orégano
  • sal a gosto (mas quanto menos melhor)
  • uma colher de catchup ou molho de tomate
  • pimenta dedo de moça pequena
  • uma colher de azeitona picada
  • muito cheiro verde

Yakisoba portenho

Yakisoba

Ressaca da eliminação do Brasil na copa 2010.

Tenho que fazer almoço e ainda aguentar a Argentina jogando.

Tudo bem que tenho uma Quilmes guardadinha para comemorar a eliminação de Maradona, porque a Argentina até que podia ganhar, mas Maradona correndo pelado na praça para o mundo ver ninguém merece.

Tenho moyashi na geladeira e minha filha pediu para comer aquela “carninha com macarrão” quando me viu comprando moyashi. Aproveitei para comprar acelga orgânica – pequena e bonita como nunca vi – então vamos encarar a Wok e preparar um yakisoba.

Já no primeiro tempo posso relaxar, a Argentina perde por 1 a zero e eu já tenho a carne picada e temperada. Também estão a postos a cebola, a cenoura, o cheiro verde, o pimentão e a acelga.

Começa o segundo tempo, a Alemanha compõe o tango e a Argentina vai dançando, 2×0.

Coloco a Quilmes para gelar.

Já tenho o bacon e o alho picados. A panela cheia de água vai aquecendo enquanto unto  assadeira para chegar o macarrão.

Enfio no forno a assadeira com a massa regada em manteiga com a mesma facilidade com que a bola estufa a rede argentina pela terceira vez.

Começo a fritar o bacon, acrescento o alho e a carne. Ela vai dourando no mesmo ritmo com que douram os sonhos da torcida germânica.

À parte, fervo um um pouco de água e banho o moyashi.

Acrescento a cenoura, o pimentão e vou misturando tudo. A panela vai ficando colorida enquanto o futuro de Maradona vai ficando preto como o uniforme dos alemães.

Acrescento a acelga [desligo o forno pois a massa já está no ponto], tampo a panela para deixá-la murchar um pouco sem perder muito líquido. Ela murcha bem mais devagar que a petulância de “Dieguito”.

A Alemanha crava o último prego no caixão da arrogância alvi-celeste. Acrescento o macarrão, o shoyo com maisena dissolvida, o moyashi e um pouco de cheiro verde e está pronto para servir.

4 a 0. Eu não tenho nada mais a acrescentar, os alemães também não.

Abro a Quilmes e brindo a competência avassaladora dos germânicos.

Ui, na cerveja, como no futebol os alemães são melhores que os argentinos.

Prost !!!

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