Soborô

Soborô

Depois do post anterior, fui ironizado por minha própria filha que disse que de restô minhas receitas não tinham nada.

Precisei explicar que, como bem cunhou o mestre Paulo Tiefenthaler, mentor do Larica Total, culinária de querrilha não é só uma questão de aproveitar as sobras da geladeira.

É usar a criatividade e a imaginação a partir dos ingredientes disponíveis e executar pratos saborosos e divertidos.

É como tentei traduzir na introdução deste blog: comer é preciso, mas prazer é fundamental.

Justamente por isso minhas receitas não são exatamente receitas, mas narrativas do processo “criativo”. Por vezes sucinta, outras longas. Monótonas ou animadas, elas tentam retratar o estado de espírito que envolveu sua elaboração.

E por causa dessa crítica resolvi fazer essa legítima iguaria oriental que representa ao mesmo tempo o espírito desse blog como a resposta ao desafio que me foi imposto. Nada a ver com o fato de que acordei tarde e emborrachado.

O soborô, (ou sorobô como preferem alguns) é um prato a base de arroz amanhecido e incrementado com tudo que você encontrar de comestível pela frente e que possa ser acrescentado sem se dissolver por completo.

Nesse caso a meia xícara de arroz que mal-e-mal serviria para alimentar um gato, foi recebendo incorporações que culminaram num prato que serviu quatro pessoas com folga.

Comecei fritando cubos de bacon aos quais acrescentei filetes de alho e um fio de azeite.

Adicionei cebolas picadas e, ainda crocantes, reservei no canto da frigideira para dar espaço para preparar dois ovos mexidos que depois se misturaram aos demais ingredientes.

Depois fui acrescentando tudo que encontrei e reduzi a cubos: cenoura, pimentão vermelho, pimenta cambuci, milho, ervilhas congeladas (previamente descongeladas em água fervente), azeitonas,  presunto cozido e até mesmo abacaxi (olha ele aí outra vez).

O toque oriental foi obtido acrescentando-se uma colher de sopa de shoyo e uma de glutamato monosódico, o popular aji-no-moto.

Por fim, salpico cheiro verde e sirvo.

A essa altura já deu para notar que bacon, alho e cheiro verde aparecem em praticamente todas as minhas receitas. É uma prova de que não estou repassando receitas, mas comentando experiências.

Para encerrar, deixo uma mensagem do profeta para enlevar os espírito ainda não convertidos.

Em verdade, em verdade vos digo meus filhos, há mais mistérios entre a geladeira e o fogão do que pode conter nossa pequena cumbuquinha.

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